Por que o grau de investimento do Brasil é importante internacionalmente?
Educação Financeira

Por que o grau de investimento do Brasil é importante para o mercado internacional?

Quando o assunto é investimento, existe uma palavra que pode ajudar a ilustrar algumas situações: confiança. Imagine que você tenha dinheiro guardado e, em determinado momento, decide que quer investir em uma franquia, por exemplo.

As condições financeiras em que a franquia se encontra, além da relação que existe entre seus fornecedores e clientes, são dados importantes para levar em conta antes de apostar suas fichas, certo? Tudo para que, no final das contas, você tenha confiança em depositar seu dinheiro na empresa escolhida.

É mais ou menos assim que acontece quando falamos do grau de investimento do Brasil. O rebaixamento (ou não) do país — que, no exemplo acima, seria a franquia — traz consequências para a visão e para a ação do mercado.

No artigo de hoje, falaremos um pouco sobre esse tema e por que ele é tão importante para o nosso país e o resto do mundo. Confira!

O que é grau de investimento?

Grau de investimento é como um selo de qualidade que indica os riscos de um país ou de uma empresa não cumprirem seus compromissos. Recebê-lo é, portanto, um atestado de que você é um bom pagador.

Aqui, vamos falar do grau de investimento do Brasil. Mas, a título de curiosidade, AmBev, Vale e Petrobras são algumas das empresas nacionais que possuem o selo.

Para que serve o grau de investimento?

O grau de investimento diferencia os bons dos maus pagadores. É uma classificação que norteia os investidores e as instituições financeiras internacionais na hora de decidir onde colocar o dinheiro.

Quanto mais seguro, mais dinheiro e investimentos um país recebe — e a custos mais baixos.

Quem atribui as notas?

As agências de classificação de riscos, também conhecidas como agências de ratings, são as responsáveis por atribuir notas a cada nação e organização. As mais conhecidas e respeitadas do mercado mundial são a Standard & Poor’s, a Moody’s e a Fitch.

O que é rating?

Rating é uma nota que ajuda o investidor a entender qual é o risco que existe ao colocar dinheiro em um país ou uma empresa. Ela é dada pelas agências de classificação de riscos e aponta a capacidade que as instituições e nações têm de pagar suas dívidas.

Por exemplo: países lançam títulos de longo prazo no mercado internacional. A partir de uma série de informações, as agências avaliam as chances de tais nações pagarem estes títulos e dão a nota (rating) a elas.

Como as agências fazem a avaliação?

Para chegar ao grau de investimento, existe uma combinação de dados que resulta no rating do país avaliado:

  • as agências se baseiam em informações enviadas pela nação que receberá a nota;
  • a partir daí, os técnicos responsáveis fazem uma avaliação de toda a situação financeira daquele país;
  • depois, esses dados são combinados com análises das condições do mercado internacional e de especialistas da área acadêmica, da iniciativa privada e de fontes oficiais.

Como funciona a classificação?

O grau de investimento do Brasil foi estabelecido por meio de uma classificação. Ela funciona em uma escala que vai da alta possibilidade de calote até a total capacidade de pagar as dívidas dentro do prazo estabelecido.

Levando em consideração essa variação, a classificação é disposta em um ranking, com notas simbolizadas por letras, sinais e números. Tudo isso é alocado em dois grupos: grau de investimento e grau especulativo. Basicamente, o primeiro bloco é composto pelas nações que pagam em dia, e o segundo por aquelas em que há risco real de não quitação das dívidas.

A forma como a classificação é apresentada varia um pouco de agência para agência. Para a Moody’s, por exemplo, a melhor qualificação que um país pode receber é a Aaa. No caso da Standard & Poor’s e da Fitch, que utilizam os mesmo símbolos, é AAA. A pior qualificação para a Moody’s é a C. Já para a Standard & Poor’s e a Fitch, é a D.

Standard & Poor’s

Para ficar ainda mais claro, citamos abaixo o modelo de classificação empregado pela Standard & Poor’s:

Grau de investimento

  • AAA — 100% de capacidade de pagar as dívidas no prazo;
  • AA — alta capacidade de pagar as dívidas no prazo;
  • A — boa capacidade, mas suscetível a mudanças;
  • BBB — condição financeira estável, mas não tão protegida contra choques.

Grau especulativo

  • BB — menos vulnerável, mas com incertezas no futuro;
  • B — paga dívidas, mas é vulnerável às condições econômicas;
  • CCC — depende de condições externas favoráveis para pagar suas dívidas;
  • CC — extremamente vulnerável;
  • C — próximo ao calote;
  • R — país está sob supervisão regulatória, em função de sua condição financeira;
  • SD e D — nação totalmente inadimplente. Não paga compromissos no prazo.

Os ratings de AA e CCC podem ser alterados pela adição de um sinal de + (mais) ou de – (menos), indicando a posição relativa dentro das categorias do ranking.

Moody’s

Já a classificação da Moody’s envolve as seguintes categorias:

Grau de investimento

  • Aaa;
  • Aa1;
  • Aa2;
  • Aa3;
  • A1;
  • A2;
  • A3;
  • Baa1;
  • Baa2;
  • Baa3.

Grau especulativo

  • Ba1;
  • Ba2;
  • Ba3;
  • B1;
  • B2;
  • B3;
  • Caa1;
  • Caa2;
  • Caa3;
  • Ca;
  • C.

Por que o grau de investimento do Brasil é importante?

As notas dadas a um país são sempre revistas. Ou seja: as agências especializadas avaliam periodicamente a qualidade de crédito de uma nação, podendo rebaixá-la ou, até mesmo, suspender a nota.

No caso do Brasil, manter o grau de investimento alto é essencial por uma série de fatores. Somos a maior economia da América do Sul, portanto as oscilações financeiras afetam diretamente os nossos vizinhos, além de países que nos veem como um importante polo para investimentos e expansões.

Ao atingir o grau especulativo, o impacto é forte em uma série de fatores: variação do câmbio; desvalorização do real; alta do dólar; aumento da inflação, pelo encarecimento de componentes e produtos importados.

Quais são os fatores que influenciam a avaliação das agências de rating sobre a situação nacional?

Vamos, agora, analisar os principais fatores que influenciam o grau de investimento fornecido pelas empresas de rating. A já citada Moody’s rebaixou a nota do Brasil e tirou o grau de investimento (selo de bom pagador) do país.

De Baa3, passou-se para Ba2, ou seja, caímos do último nível dentro do grau de investimento para o grau de especulação. Além disso, a nota ainda ficou em má perspectiva, podendo sofrer um novo rebaixamento.

A Moody’s explicou que isso aconteceu em função da maior deterioração das métricas de crédito no país. Trata-se de um cenário negativo, com baixo crescimento e expectativa de que a dívida do governo ultrapasse 80% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos 3 anos.

Essa perspectiva reflete a visão de que os riscos envolvem uma recuperação e uma consolidação ainda mais morosas ou, ainda, a possibilidade de haver mais choques, criando incertezas sobre o crescimento da deterioração no perfil de crédito brasileiro.

A primeira agência que tirou o selo de bom pagador do Brasil foi a Standard & Poor’s, sendo que a Fitch também colocou a nota em perspectiva negativa. Vários fatores contribuem para esse rebaixamento. Entre eles, estão:

  • aumento do endividamento público;
  • deterioração das contas públicas;
  • preocupação com a retomada do crescimento da economia;
  • qualidade dos ativos disponíveis;
  • experiência dos profissionais de mercado;
  • aumento dos riscos internos.

Quais são as consequências do rebaixamento da nota do Brasil?

A maior parte dos fundos de investimentos faz aplicações em países que têm o aval de, no mínimo, duas agências. Por isso, com o selo de mal pagador, o Brasil passa a sofrer com alguns problemas:

  • mais dificuldades para atrair investidores do mercado internacional — e isso significa menos dinheiro;
  • maior escassez de recursos;
  • alta na taxa de juros no mercado interno.

Por outro lado, países com dívidas públicas emitem títulos para levantar recursos no mercado internacional, com a condição de devolver o dinheiro aos investidores com juros. O grau de investimento ajuda a conseguir taxas mais baixas. Consequentemente, quanto menores os juros, maior a capacidade de pagamento.

O rebaixamento efetuado pela Moody’s impacta, ainda, na cotação do dólar, na dívida do Brasil e no financiamento das empresas. O alto grau de investimento funciona como um selo de qualidade para atrair investidores, já que nenhum deles deseja arriscar-se e receber calotes.

Em muitos casos, a aplicação compensa quando as chances de maiores rendimentos superam os riscos de perda de capital. Sendo assim, diferentes investidores avaliam minuciosamente a situação do país para só depois iniciar a operação. E, diante de um cenário duvidoso, eles preferem não arriscar.

Devido a essa incerteza e ao consequente desinteresse pelos investimentos em nosso país, corremos o risco de perder muitos dólares, o que impacta negativamente na cotação da moeda. Com o estigma de mau pagador, fica mais difícil e bem mais cara — para as empresas brasileiras e para o próprio governo — a obtenção de crédito.

A verdade é que a recuperação nacional pode demorar muito. É provável que o país gaste entre 5 e 10 anos para reconquistar o grau de investimento favorável, considerando que essa é, historicamente falando, a média geral observada.

As projeções de melhoria são para depois de 2018, quando houver uma visão mais clara a respeito do nosso crescimento econômico, que promete começar a estabilizar-se ainda neste ano.

Além de ser um tema essencial para os dias de hoje, o grau de investimento do Brasil é cheio de informações e detalhes importantes. Por isso, se você ficou com alguma dúvida, deixe nos comentários!

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