Arrecadação federal de junho: confira análise dos nossos especialistas

Nessa semana saíram os dados da arrecadação federal de junho com resultado de R$ 137,2 bilhões, acima da nossa projeção de R$132,1 bi. Os desvios para a nossa projeção foram espalhados, mas com maior concentração no IR Total e na rubrica do PIS/Cofins. Neles, a diferença foi de R$ 7,1 bilhões e R$ 3,7 bilhões, respectivamente.

Apesar de parte de esse resultado ser explicado mais uma vez por recolhimentos extraordinários e não recorrentes do IRPJ/CSLL de R$ 4,0 bi em junho, fato é que a arrecadação vem surpreendendo mês a mês, principalmente por fatores conjunturais como a economia mais forte que a esperada. Como podemos observar na tabela, os outros componentes também se saíram mais fortes que o esperado por nós, denotando uma capacidade de arrecadação maior e que não era antecipada. Além disso, o comércio externo aliado a um aumento do preço das commodities e do dólar desde o ano passado contribuem para puxar para cima a arrecadação no ano até então.

Como mostra o gráfico a seguir, no começo do ano nossa projeção se mostrou bem subestimada quanto ao efetivo até o fim desse primeiro semestre. Não prevíamos uma atividade forte como veio dado que também se observava um agravamento da pandemia naquele momento. Então, em nosso cenário observaríamos uma aceleração no 2º semestre da arrecadação à medida que o processo de vacinação se intensificaria e permitiria que as medidas de isolamento se exaurissem e, então, a economia se recuperaria.

Contudo, faz sentido que observamos o primeiro semestre melhor pois mesmo com as medidas de isolamento, percebemos que a economia estava mais insensível em relação à pandemia, além de que os dados de mobilidade mostravam que não se parou como se observou no primeiro semestre de 2020 e a volta da mobilidade se deu num processo muito mais acelerado que o ano passado. Assim, era natural observarmos essa melhora da arrecadação em relação ao estimado pois a atividade reagia melhor que o esperado.

Contudo, com o adiantamento dessa recuperação, devemos verificar uma estabilização das receitas arrecadadas, não mais uma aceleração como previmos inicialmente. De fato, esse cenário casa com o que projetamos para a atividade, em que além dessas questões apontadas, o alto endividamento das famílias deve ser um freio no crescimento do consumo a partir do 2º semestre e que fará a economia crescer “apenas” 4,5%, abaixo dos 5,25% de crescimento apontados pela mediana das expectativas no focus.

De qualquer forma, fato é que conjunturalmente a arrecadação vem melhor por conta da atividade e por motivos inflacionários. Assim, elevamos nossa projeção do ano para R$ 1.680,0 trilhão, de R$ 1.650,0 trilhão anteriormente estimado. Para julho, nossa projeção preliminar é de R$ 113,1 bilhões.

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