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Por que investir na poupança já não é mais uma boa ideia?

Investir na poupança deixou de ser interessante para milhões de brasileiros. Este ano, a caderneta registrou a maior retirada de recursos para o mês de julho dos últimos 4 anos. Isso porque os saques superaram os depósitos em R$ 1,6 bilhão.

Os levantamentos do Banco Central não deixam dúvidas de que há um movimento de migração de capital, da poupança para outros investimentos. Mas por que tanta gente vem concluindo que não vale a pena investir na poupança?

A resposta para essa pergunta pode estar no fato de que o cálculo da poupança não favorece o lucro. Desde 2012, a rentabilidade da caderneta de poupança depende da Selic.

Dessa forma, quando a Selic está acima de 8,5% a.a., a poupança rende 0,5% a.m. (6,17% a.a.) + variação da TR (taxa referencial – quase sempre próxima a zero). Por outro lado, quando a Selic está em 8,5% a.a. ou menos, a poupança rende 70% da Selic + TR.

O resultado disso é um baixo rendimento real, ou até mesmo negativo. Em 2015, por exemplo, com inflação a 10,67%, quem investiu na caderneta perdeu dinheiro (-2,28% de rentabilidade no ano).

Continue a leitura e entenda porque não vale a pena investir na poupança!

Por que os brasileiros são tão apegados à poupança?

Mesmo com baixos resultados, o brasileiro se mantém atrelado à poupança por medo de correr riscos. De acordo com uma pesquisa do SPC Brasil, quase 70% dos que aplicam na caderneta de poupança têm o objetivo de evitar perdas. Entretanto, há dois erros nessa análise.

O primeiro é que, como vimos acima, é perfeitamente possível desperdiçar dinheiro nesse investimento (pela corrosão da inflação). O segundo é que a poupança não tem risco zero em caso de falência do banco. Para entender melhor, é preciso ter em mente que existem 5 tipos de risco. São eles:

  • risco de mercado — risco da aplicação render abaixo do esperado;
  • risco de liquidez — risco de não conseguir resgatar o dinheiro quando necessário;
  • risco de crédito — é o chamado “calote” (risco de não receber o capital em caso de falência da instituição);
  • risco operacional — risco de haver falhas no sistema (por exemplo, durante o processo de operação);
  • risco legal — risco de investir com agentes não autorizados.

Ou seja, embora o investimento na poupança ofereça poucos riscos de ordem legal, operacional e de liquidez, ao menos 2 riscos podem ser observados. Um deles é o de mercado (ao contrário do que muitos pensam) e o outro é o de crédito. Sim, existe a chance de se ter problemas em caso de falência do banco.

O que confere o baixo risco à poupança é a existência do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Essa entidade assegura o ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF e por banco em caso de colapso da instituição. Ou seja, se um investidor tiver R$ 750 mil aportados em caderneta de poupança, adivinha o que vai acontecer com os outros R$ 500 mil se o banco quebrar? Isso mesmo, o excedente não será recuperado.

Quais são as vantagens e desvantagens da caderneta de poupança?

Em resumo, é possível identificar os seguintes prós e contras na poupança.

Prós

  • Liquidez imediata.
  • Ausência de impostos (IOF e Imposto de Renda).
  • Baixo risco (baixo, mas não inexistente).
  • Simplicidade da operação.

Contras

  • Retorno próximo de zero ou, às vezes, até negativo.
  • Resultados pequenos e apenas visíveis no longo prazo.
  • Retorno próximo de zero para montantes pequenos.

Inflação: o maior motivo para não investir na poupança

Poupança: vale a pena investir? Bom, em partes, você já tem a resposta. A questão é que a caderneta de poupança tem dois adversários. O primeiro é sua própria regra de retorno, que sempre acarreta rendimento baixo.

Atualmente, com a Selic em 5,5% a.a., a poupança rende apenas 70% da Selic + TR, o que seria algo em torno de 4,2% a.a. O mais conservador dos Fundos de Investimento entrega um retorno maior.

O segundo é a inflação, já que o produto da fórmula acima é o chamado “resultado nominal”. É preciso considerar ainda a flutuação de preços que, como você viu acima, corrói o resultado do investimento.

Em um cenário de inflação a 3,5% ao ano, por exemplo, teríamos retorno líquido um pouco inferior a 0,7% (resultado real). É isso que acontece quase todos os anos, o que explica a razão pela qual nenhum investidor com um mínimo de sofisticação tem sequer 1 centavo na poupança.

Quais opções de investimento unem segurança e rentabilidade?

Muitas pessoas que investem em poupança não sabem que as vantagens da caderneta estão presentes também em outras aplicações. O CDB e a LCI/LCA, por exemplo, também são protegidos pelo FGC. Além disso, o LCI/LCA são investimentos isentos de IR. Com todas essas questões, você ainda tem dúvidas se vale a pena investir na poupança?

Veja a seguir outras opções de investimentos seguras e com bom potencial de rendimento.

Certificados de Depósito Bancário (CDB)

O CDB, as Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio e a caderneta de poupança são exemplos de investimentos em renda fixa. Nessa categoria, a aplicação funciona como uma espécie de “empréstimo” do investidor a uma instituição financeira ou ao próprio governo (no caso do Tesouro Direto).

Ou seja, você capitaliza essas instituições para que elas possam viabilizar as próprias atividades. No caso do governo, os valores são utilizados para destravar investimentos em infraestrutura, por exemplo. Já os bancos conseguem “reemprestar” esses recursos em certas operações, como as de crédito pessoal.

O CDB é um título privado, emitido pelas instituições financeiras, com a finalidade acima mencionada. Você “empresta” dinheiro aos bancos e, em troca, recebe juros ao final do prazo pré-acordado.

Tipos de CDB

Nesse sentido, existem 3 tipos de CDB:

  • prefixado — nesse caso, o investidor já sabe no ato da compra do título qual será seu rendimento bruto. Isso porque a taxa será mantida, independentemente da flutuação de juros durante o período (exemplo: CDB prefixado a 9% a.a.);
  • pós-fixado — remunera um determinado percentual do CDI (índice que costuma ser idêntico à Selic). Por exemplo, com Selic a 5,5% a.a., um banco que tenha CDB pagando 120% do CDI rende em torno de 6,6% a.a. CDBs de bancos médios costumam pagar acima de 100% do CDI;
  • híbrido — paga percentual prefixado + variação da inflação (medida pelo IPCA).

Existem CDBs com liquidez diária, o que é excelente para a diversificação de investimentos (estratégia fundamental para diluir riscos e aumentar a rentabilidade média da carteira). Ou seja, é possível ter a mesma segurança da poupança, com retornos mais atraentes.

O CDB está sujeito ao pagamento de IOF apenas se houver resgate em menos de 30 dias. Já o IR é obrigatório, observando a seguinte tabela regressiva:

  • 22,5% — até 6 meses;
  • 20% — entre 6 meses e 1 ano;
  • 17,5% — entre 1 e 2 anos;
  • 15% — após 2 anos.

O rendimento da poupança é tão baixo que, mesmo com a incidência do IR, não é difícil encontrar CDBs com rentabilidade real muito acima da caderneta. É por isso que muitos brasileiros estão deixando de investir na poupança.

Letras de Crédito (LCI e LCA)

Esse tipo de investimento é muito semelhante ao CDB, com a diferença que as LCIs/LCAs são emitidas para financiar especificamente a atividade imobiliária e o agronegócio. Outra distinção é que as LCIs/LCA têm isenção total de IR.

Quem investe na poupança está protegido pelo FGC, e o mesmo pode ser dito em relação à LCI/LCA. No entanto, o rendimento médio das Letras de Crédito geralmente é superior à caderneta.

Existem LCI/LCA pré e pós-fixadas, nos mesmos moldes do CDB. Com uma rápida pesquisa, é possível conferir uma extensa lista de títulos e suas respectivas remunerações.

Tesouro Direto

O Tesouro Direto é um programa de emissão de títulos públicos. Seus ativos têm liquidez diária, já que o próprio Tesouro Nacional assegura a recompra dos papéis. Existem, basicamente, 3 tipos de títulos do Tesouro:

  • prefixado — funciona exatamente como o CDB prefixado. Nele, é possível pagar juros semestrais ou no ato do resgate;
  • pós-fixado — Tesouro Selic que segue a variação da taxa Selic (ideal para períodos de alta na taxa de juros);
  • híbrido — Tesouro IPCA, que paga parte da remuneração prefixada + variação da inflação (medida pelo IPCA). Essas aplicações são mais indicadas para longo prazo, sendo as únicas que asseguram rentabilidade real (acima da inflação).

Vale lembrar que, em 2018, o Tesouro IPCA+ 2035 (NTN-B Principal) rendeu 14,71% no ano, enquanto a poupança rendeu apenas 4,62%.

Diante de opções mais atrativas de renda fixa e variável, não é de se espantar que a poupança esteja saindo do radar do brasileiro.

Seja em períodos de alta da Selic (que sugerem aplicações em CDBs e LCIs/LCAs pós-fixadas) ou de queda das taxas de juros (que favorecem aplicações prefixadas), existe um oceano de alternativas tão seguras quanto a poupança, mas com resultados mais robustos.

A chave para o sucesso é, portanto, criar uma carteira diversificada. Além disso, contar com a parceria de uma corretora de investimentos para ajudar você a enxergar as melhores oportunidades do mercado, de acordo com seu perfil de risco.

Quer aprender o conceito de diversificação e como colocá-lo em prática com eficiência? Leia agora nosso artigo sobre esse assunto! Até a próxima!

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