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Marco do Saneamento Básico aprovado. E agora ?

O mercado se encheu de expectativa no dia 24 de junho, quando o Senado aprovou com folga o PL. 4162/19, referente ao Marco do Saneamento. Todavia, passados os primeiros quinze dias do evento, o que se vê a nível de preços é algo bem diferente daquilo que a expectativa inicial fomentava. As ações do setor recuaram desde então, e uma série de dúvidas continuam pairando sobre o setor.

 

 

 

 

 

Será que presenciamos mais um evento clássico do tipo “sobe no boato e realiza no fato” ou as ações do setor estão apenas aguardando algum outro evento para reagir?

Para começar a tentar entender o que há com o setor e quais são os caminhos mais diretos para obtermos respostas, aprofundamos nosso estudo e entramos em contato com as empresas do setor para saber o que está havendo passados esses primeiros dias após a aprovação do Marco.

Todas as companhias consultadas foram uníssonas ao afirmar que esperam a sanção do presidente para avançar nos planos futuros e que a proposta aprovada possui algumas questões que ainda deixam algumas dúvidas, por exemplo, como será a atuação da agência reguladora ? Quão nacional e único será seu alcance ? E como ficam as reguladoras regionais ? Os vetos presidenciais podem ainda impulsionar ou tornar o processo de privatização das companhias mais burocrático?

Olhando especificamente o caso das três empresas do setor na Bolsa, Sabesp, Sanepar e Copasa, enxergamos um cenário menos beligerante para a primeira. Em São Paulo, o governador Dória já afirmou que pretende seguir adiante com os planos de privatização.

Em Minas Gerais, mesmo o atual governo sendo favorável, acreditamos que as leis locais tornarão o processo menos tangível. No Paraná, a autoridade estadual avisou que, por ora, não possui planos de privatização sobre a mesa.

Assim, voltamos nossa atenção à companhia da maior metrópole do Brasil, onde mesmo necessitando da aprovação em maioria simples por parte dos deputados locais para seguir com o projeto, acreditamos que o projeto de privatização da Sabesp enfrentará considerável resistência para aprovação a médio prazo, o que, não tira nossa expectativa quanto a uma futura aprovação, mesmo que, para tal, seja necessário o diferimento de um tempo maior que previamente estimado.

Este stand by em meio a uma indefinição acerca do que de fato será sancionado pode estar paralisando a evolução dos ativos do setor. Evidentemente, fatores como a incongruente urbanização nacional e a falta de um projeto consistente para melhorar o processo no longo prazo somado ao recente noticiário, onde veiculou-se que duas cidades do sudeste continham traços do novo coronavírus em seus esgotos, também estão por trás desse momento menos potente das ações das companhias do setor. Todavia, acreditamos que o momento possa se reverter em um futuro breve. Notícias como o interesse internacional de empresas chinesas, francesas e espanholas são o primeiro indício do potencial que a proposta pode trazer.

Assim, seguimos positivos quanto ao setor. Mesmo os resultados de Sabesp tendo sido mais decepcionantes do que o esperado no primeiro trimestre deste ano, acreditamos que, por ora, ela possua maior capacidade de destravamento de valor no tocante às benesses de um possível plano de privatização. Um olhar apurado por dentre os pormenores do retorno sobre o patrimônio líquido, fornecido através do Modelo Dupont, nos aponta que, tirando a Sabesp, que observou margem líquida negativa neste último trimestre, os demais parâmetros apresentam valores bem próximos às suas recentes marcas.

Acreditamos que o lag demonstrado pela companhia no primeiro trimestre seja mais um combustível para que a mesma apresente melhoras consistentes ao longo do ano.

Nosso papo com as companhias também revelou que, antes da aprovação do marco, o interesse delas era pelo saneamento interno de suas finanças. Nada como redesenhar o interior antes de buscar novas oportunidades no setor.

Ademais, todas foram resolutas quanto ao fato de buscar oportunidades em todas as regiões do país, assim que o cenário se mostrar menos assimétrico. Quanto ao setor de saneamento, a espera pode sim ser tão logo recompensada.   

Por Ilan Arbetman, analista do Research da Ativa Investimentos
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