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Preços de artigos de residência e as perspectivas sobre núcleos de inflação

No Palavra do Especialista de hoje, discorreremos sobre um dos grupos que compõe a inflação oficial brasileira: os artigos de residências, mais precisamente, abordaremos a dinâmica de preços de bens dentro desse grupo.

Trata-se de um grupo com peso relativamente pequeno no IPCA (3,68% em junho/20), mas é chave no entendimento do comportamento estrutural da inflação e os efeitos de outras variáveis sobre o IPCA. O grupo pode ser desmembrado em bens (91,3% de 3,68%) e serviços (8,7%) e, conforme supracitado. Neste artigo, depositaremos nossa atenção especificamente sobre bens.

A relevância de bens de artigos de residências é alta, pois o mesmo faz parte de todos os núcleos de inflação, com grande representatividade no comportamento estrutural capturado por essas agregações. Além disso, é interessante pensar que os bens de artigos é um dos componentes dos núcleos mais sensíveis ao câmbio, devido a seus subgrupos: “móveis e utensílios” e “aparelhos eletrônicos”.

Como podemos observar o gráfico abaixo, nitidamente os subgrupos tiveram comportamentos distintos. Enquanto “móveis e utensílios” cedeu com a entrada da crise do Covid, tal advento parece ter impulsionado “aparelhos eletrônicos”. Evidentemente todo o grupo foi afetado pela crise, entretanto o fator e-commerce e o câmbio ajudam a explicar a discrepância.

 

 

 

 

 

Dentro de “aparelhos eletrônicos” temos televisores, eletrodomésticos e etc, que, em tese, são mais “commoditizados”, o que facilita o processo de compra online, diferentemente de móveis, nos quais a compra é mais “sui generis”. Desse modo, com a paralisação parcial da indústria, a inesperada manutenção da demanda consumiu os estoques e elevou os preços.

Contudo, não apenas esse componente justifica o avanço do preço. A desvalorização cambial observada ao longo da pandemia, também explica parte do avanço, uma vez que componentes ficaram mais caros ao setor por serem produto de importação.

Assim, apesar de estimarmos que a pandemia já tocou o fundo do poço, destacamos que não contemplamos em nossas projeções um salto deste grupo nos próximos meses.

Entendemos que os estoques serão recompostos, adequando-se à demanda mantida em “aparelhos eletrônicos” e que o câmbio deverá se apreciar com a diluição do risco covid ao longo do ano, aliviando os preços deste subgrupo.

Entretanto, mediante a perspectiva de recuperação gradual da economia, o subgrupo “móveis e utensílios” não deverá mostrar um sobressalto em seu processo de recomposição dos níveis de preços pré-crise.

Desse modo, avaliamos que os núcleos, analogamente ao comportamento de bens de “artigos”, deverão mostrar-se calmos até o final de 2020, terminando o ano acumulando alta de apenas 1,6%. Ou seja, apesar da pressão pontual em eletroeletrônicos, a mesma deverá se diluir de maneira mais célere do que a recuperação da economia, que se dará de maneira gradual, mantendo a inflação em patamares muito benignos durante pelo menos todo ano. Assim, reforçamos que o IPCA geral deverá fechar 2020 em 1,1%, acelerando-se apenas em 2021 para 3,3%, mas isso é assunto para debatermos em uma próxima coluna. Nos encontramos na Ativa!

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