O mercado no mês de dezembro e o novo cenário de câmbio para 2021

No Palavra do Especialista de hoje, vou falar sobre alguns pontos que nortearam o mercado em dezembro de 2020. Além disso, atualizarei a nossa perspectiva de juros e câmbio para 2021.

Investimentos

Embalado pelo início das vacinações pelo mundo, dezembro seguiu a tendência de novembro e foi mais um mês muito positivo para os mercados ao redor do mundo e de apreciação das moedas emergentes.

Juros

No início de dezembro o Copom decidiu manter a taxa básica de juros da economia em 2,0% ao ano. A autoridade manteve, dentre outros, o risco fiscal como preponderante. Não é novidade que, em caso de eventual descalabro fiscal, a autoridade monetária, regida por uma meta de inflação, pode apontar o erro no fiscal, mas deve subir o juros para tentar minar o possível processo inflacionário.

Como já apontei exaustivamente nessa coluna, o Brasil tem um desafio fiscal em 2021, com despesas discricionárias projetadas abaixo de R$90 bi. Fora isso, o país deverá apresentar um déficit primário de quase R$250bi. Um cenário tênue que não permite o mínimo descalabro, aliás, ao contrário, enseja por reformas, estruturais e conjunturais.

Isso não chega a ser um problema de emissão para o Tesouro, uma vez que o colchão de liquidez cresceu muito ao longo do final de 2020, dado o volume emitido até então. Em outras palavras, apesar de matérias apontarem corretamente que o volume disponível para aporte do BC ao Tesouro será menor, o mesmo não se fará fundamental para os gestores da dívida.

Na esteira do gargalo fiscal, e o evidente Cliff gerado pela ausência do auxílio emergencial, o Brasil deverá crescer algo ao redor de 2,9% em nosso cenário. É fundamental pontuar que, apesar do bom desempenho do mercado de trabalho no final do ano passado, o retrato do desemprego deverá se revelar bem pior ao longo de 2021, com a demanda por empregos crescendo muito mais rápido do que a oferta.

Assim, mediante a perspectiva de que o fiscal irá tenuemente passar por 2021 incólume, e a ociosidade se revelará forte, com o país crescendo pouco, o juro deverá permanecer no atual patamar em nosso cenário até o final deste ano, quando passará gradativamente a ser elevado, finalizando 2022 em 6,0% a.a.

Ibovespa

Em dezembro, a Bolsa brasileira registrou alta de 9,3%, alcançando os 119 mil pontos. No ano, o índice exibiu elevação de apenas 2,9%. Tal desempenho acumulado pode não parecer muito, mas simboliza uma senhora recuperação, uma vez que o índice tocou o fundo do poço no início da pandemia em março, quando chegou aos 61 mil pontos.

Um dos destaques para o avanço do mês foram empresas terminando o ano com resultados melhores que o esperado. Além disso, estrangeiros voltaram a comprar emergentes e a vacinação avançando pelo mundo também trouxe otimismo aos investidores.

Câmbio

Na esteira da projeção da Ativa Investimentos, houve uma forte apreciação do real frente ao dólar em dezembro. A moeda saiu de R$5,36/US$ para R$5,19/US$, queda de 3% no mês, convergindo para a nossa previsão para o encerramento do ano, de R$5,20/US$.

Contudo, apesar do bom desempenho em dezembro, o real é uma das moedas de pior performance dentre os emergentes.

Assim, e já considerando o diferencial de risco Brasil frente a seus pares, principalmente pelo incremento de DBGG/DLSP e a dinâmica da mesma ao longo dos próximos anos, estimamos que o real terminará 2021 cotado a R$4,70/US$, com consequente apreciação para 2022, para R$4,35/US$.

Evidentemente, a apreciação global de emergentes, até então, e as perspectivas estimulativas sobre a Blue Wave americana no curto prazo, favoreceram amplamente a alteração do call, que estavam respectivamente em R$5,00/US$ e R$4,70/US$.

Conte sempre com a Ativa. Para sanar quaisquer dúvidas, estamos à disposição. Até o próximo artigo!

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