Como a nevasca americana e o Ano Novo Chinês impactam nas commodities brasileiras?

O mercado de commodities responde por mais de 6% de nosso PIB, fazendo com que as flutuações observadas nessa matriz de produtos sejam sentidas prontamente na economia e no mercado brasileiro.

Vale lembrar que este foi um dos mercado que mais rapidamente se recuperou da crise de 2020, ganhando ainda mais relevância nos resultados econômicos dada a queda sofrida pelo setor de serviços, responsável por dois terços do PIB nacional.

Desta maneira, não é exagero dizer que, se não fosse esse setor, nossas finanças estariam ainda mais prejudicadas.

O impacto do dragão

Não é possível avaliar o mercado de commodities no Brasil, sem falar do de seu maior comprador: a China.

Hoje, após a reabertura do mercado chinês, que permaneceu fechado desde o dia 11 de fevereiro, devido às celebrações do Ano Novo Chinês, foi possível verificar que as diretrizes monetárias mais austeras, estipuladas pelo Banco Central da China, podem acabar repercutindo negativamente neste mercado.

Lembramos que o governo do país asiático já comentou que é de seu interesse reduzir as importações de minério e aumentar as de aço pronto, o que seria prejudicial para nações como o Brasil, exportadoras de commodities, porém sem tradição na exportação de produtos com maior valor agregado.

No Brasil, a comercialização do minério de ferro para o mercado externo é um dos pilares das operações tanto da Vale (VALE3) como das siderúrgicas. Só para se ter uma ideia, a mineração respondeu por 75% do Ebitda total de CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5), no último trimestre do ano passado.

As notícias do arrefecimento da demanda por parte da China – que atingiu uma utilização de mais de 90% de seu parque siderúrgico – pode induzir à uma transformação do setor mais rápida do que se previa.

Neve nos Estados Unidos, impactos no Brasil

Outra commodity essencial para o Brasil, o petróleo, teve sua negociação impactada pelas restrições de oferta e pela nevasca que atinge fortemente os Estados Unidos nos últimos dias. Somente agora, os preços do Brent parecem caminhar para se estabelecer acima dos U$D 60 dólares.

Apesar da notícia ser positiva, sobretudo para Petrobras (PETR3;PETR4), que após amargar um difícil quarto trimestre, encontra num Brent mais elevado a possibilidade de extrair mais valor de seu portfolio, sobretudo agora que o seu direcionamento está mais voltado àquelas atividades que a companhia possui maior margem e vantagem competitiva.

Apesar dos prognósticos positivos, acreditamos que o mercado de petróleo pode ser alvo de alguma mudança drástica que rapidamente diminua os ganhos oriundos dos últimos movimentos. Isso pode ser explicado, por parte da demanda, pelas dinâmicas logísticas globais; e na parte da oferta, pela Opep.

Ou seja, enxergamos, por ora,  o momento do Brent muito mais como conjuntural do que estrutural e acreditamos que a Petrobras deve seguir tornando seu portfolio ainda mais eficiente, para lidar com um mercado que, cada vez mais, demonstra um certo grau de disfuncionalidade.

Em relação à celulose, lembramos que a Suzano (SUZB3) registrou maiores gastos logísticos com o aumento das exportações para a América do Norte em seu mix.

Ainda é cedo para cravarmos qual impacto a atual nevasca poderá provocar neste mercado, mas uma pausa acentuada nas produtoras de papel e containerboard do país pode provocar uma desaceleração forçada neste mercado que tão bem performava.

Lembramos ainda a relevância que produtos como milho, soja e carne possuem em nossa matriz, estando também sujeitos a possíveis variações de preço por conta do acúmulo de neve na América do Norte, ou qualquer outra restrição logística na cadeia de suprimentos.

Adicionalmente, as chuvas no Brasil não estão favorecendo a safra, o que também pode impactar no preço dos grãos.

Em suma, ainda que as drásticas condições climáticas norte-americanas possam influenciar positivamente o preço das commodities, atraindo fluxos de capital para nosso país e, consequentemente, impactando positivamente nas ações envolvidas no processo, o final do feriado de Ano Novo Chinês acendeu uma luz que, rapidamente, pode passar de amarela para vermelha.

Vale pontuar também que os mercados ainda se adaptam às novas dinâmicas envolvendo a vacinação em massa e o final das restrições logísticas internacionais.

Assim, esses dois acontecimentos recentes renovaram os motivos para ficarmos ainda mais atentos ao noticiário recente, pois, não há dúvidas que, o pronto reestabelecimento de condições normais na negociação de commodities será fundamental para vencermos os desafios internos e seguir buscando nossa recuperação.

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