Como o mercado tem tratado o choque temporário de alimentos

Hoje, no Palavra do Especialista, discutiremos os desdobramentos do atual choque de preços de alimentos na economia brasileira.

Já é de amplo conhecimento, teórico e no bolso, que um choque de preços de alimentos está assolando a economia, que ainda vive uma recessão causada pela pandemia. Até setembro, o acumulado em doze meses do subgrupo alimentação no domicílio do IPCA já chega a mais de 15%, e as perspectivas são de que esse valor se aproxime de 19% ainda em outubro.

Como se sabe também, e já foi amplamente explorado nesta coluna, grande parte desse avanço dos preços de alimentos no varejo se dá pela pressão dos preços das carnes no atacado. Contudo, parte relevante desses fatores de pressão podem ser avaliados como transitórios. A pressão cambial, que tem componente grande associado à pandemia, o auxílio emergencial, que já entrou em fade-out, a demanda chinesa, que deve se arrefecer marginalmente com a passagem das festividades locais, bem como fatores climáticos, por definição transitórios.

Sendo assim, é curioso observar, no Boletim Focus, um avanço sobremaneira das expectativas inflacionárias de 2020, superiores a 100 pontos (nos últimos 5 meses), para os atuais 2,65%, sem que haja uma consequente redução das expectativas de 2021.

Pode-se especular que a inércia inflacionária compensará o efeito da devolução dos preços de alimentos. Matematicamente, teríamos que ter ambos os coeficientes idênticos para que isso ocorresse. Didaticamente, a inflação que sobe 100 pontos por um choque temporário em T1 e devolve -70 pontos em T2 após a normalização, precisaria de um efeito de inércia da ordem de 70 pontos para que não se observe uma revisão baixista em T2.

Um coeficiente de tamanha magnitude está muito longe do estimado por nós e por grande parte do mercado, inclusive do extraído das expectativas condicionais do BC, que oscila mais próximo de 20 pontos.

Assim, especula-se também que o processo de reaquecimento da atividade, somado à inércia compensaria a volta do choque temporário de alimentos. Entretanto, as expectativas de crescimento para o ano de 2021 estão sendo revisadas marginalmente para baixo, ainda que permaneçam relativamente próximos da estabilidade. Fora isso, o hiato do produto, com um fiscal em trajetória de piora, tende a se dilacerar ainda mais, não ensejando por pressões inflacionárias.

Aqui na Ativa investimentos, desde o início tratamos o choque de inflação deste ano como temporário. A priori, acreditávamos que a reversão do mesmo ocorreria neste ano, e, por isso, chegamos a projetar uma inflação de 2020 a 1%. Contudo, com o passar do ano, reavaliamos que parte relevante da devolução dessa elevação de preços se daria apenas em 2021. Com isso, revisamos nossa projeção de 1% para 2,4%, mas, em compensação, revisamos nossa perspectiva de 2021 de 3,3% para 2,4%.

Tal cenário benigno de inflação permite que tenhamos uma perspectiva de que a Selic permanecerá estável em 2% até o final de 2021, passando à elevação apenas a partir de 2022.

Conte sempre com a Ativa. Para quaisquer dúvidas, estamos à disposição. Até o próximo artigo!

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