A decisão do Copom de dezembro e suas implicações

No Palavra do Especialista dessa semana, esmiuçaremos a decisão da reunião do Copom de dezembro, que apesar da manutenção da Selic, trouxe algumas novidades relevantes para a comunicação da autoridade e suas implicações sobre nossa projeção de juros.

Choque inflacionário temporário

Conforme supracitado, o Banco Central manteve a Selic a 2,0% na reunião de dezembro, o que era unanimemente esperada no mercado. A autoridade manteve a leitura de que a conjuntura econômica prescreve política monetária em grau extremamente estimulativo, e reafirmou que o choque inflacionário vivido atualmente é temporário.

Evidentemente, o BC reconheceu o avanço da inflação corrente e, consequentemente das expectativas, seja do mercado através do comunicado ou até mesmo do avanço das próprias projeções.

Circulou no mercado o entendimento que o fato de o Copom de dezembro ter removido o parágrafo no qual dizia que existia espaço residual para estímulo monetário era uma ação hawk. Contudo, esse espaço residual era entendido como um corte inferior a 25 bps, o que chega a ser inócuo em ação e, consequentemente, sua remoção também o é.

Remoção do Forward Guidance

Contudo, o mais relevante no nosso entendimento foi o anúncio de que, em breve, poderá remover o Forward Guidance (FG) de seus comunicados. Ainda que o BC não tenha corroborado com a teoria de que a inflação está descontrolada e por isso a FG não poderia existir, o Copom optou por iniciar o processo de retirar a previsão.

A autoridade afirmou que, com o avanço do tempo, o horizonte de política monetária se desloca e no início do ano que vem estará mirando, majoritariamente, períodos cujas expectativas de inflação estão ancoradas (2022), assim sendo necessária a remoção do FG.

Ainda que por um motivo relativamente neutro, o timing acaba atribuindo um caráter relativamente hawk ao comunicado, uma vez que a “barreira” de linguagem esteja se esvaindo.

Nossa avaliação

Deste modo, avaliamos que por volta de março, com o horizonte completamente em 2022, a despeito da nossa expectativa de inflação baixa para 2021, o BC deverá remover o FG, mas conforme a autoridade destacou, a remoção não trará uma elevação mecânica de juros, “voltaremos” à regra de Taylor e ao regime de metas de inflação.

Com as regras do jogo normais, avaliamos que a conjuntura econômica que se apresentará em 2021:

  • não terá espaço fiscal;
  • exibirá crescimento moderado após a queda de 2020;
  • revelará um desemprego elevado;
  • e apontará para uma inflação abaixo da meta para 2021, com 2022 ancorado.

Deste modo, mantenho o call de que a Selic iniciará a elevação do juros apenas no início de 2022. Até a próxima!

Invista com a gente!

É prático, rápido, seguro e não tem custo. Você pode acessar sua conta de onde quiser e ainda ter vantagens exclusivas.

ABRA SUA CONTA
Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.