Fundos Multimercados: tire suas dúvidas sobre a modalidade

Você sabia que mais de 46% de todo o dinheiro investido por milionários no Brasil é direcionado para Fundos Multimercados? Essa é uma informação da Anbima, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais.

Mas e aí, o que são os Fundos Multimercados? O que você precisa saber sobre eles? Quais são seus tipos? Como eles funcionam e para que tipo de investidor eles são indicados? Se você ficou interessado nessa modalidade de aplicação financeira, siga a leitura para saber mais sobre esse tipo de investimento.

O que são e como funcionam os Fundos Multimercados

Um Fundo Multimercado é aquele com maior liberdade para alocar os recursos reunidos em qualquer área, segmento ou ativo disponível no mercado. Eles são, portanto, os fundos de investimentos com maior flexibilidade e versatilidades dentre todos.

Essa é, aliás, a principal diferença dos Fundos Multimercados em relação aos outros Fundos classificados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Antes de se aprofundar mais sobre esse investimento, é importante que você conheça alguns conceitos básicos do seu funcionamento. Assim você saberá qual é a sua rentabilidade em relação a outras alternativas de aplicações, sua forma de resgate etc. Veja-os a seguir.

Rendimento

De forma geral, fundos de investimentos são bastante versáteis no que diz respeito à rentabilidade. Há fundos de renda fixa que oferecem ganhos sólidos, que são recomendados para investidores mais conservadores. Por outro lado, há alternativas que oferecem renda mais variável, sendo mais adequados aos perfis agressivos.

Fundos Multimercados são mistos. Além da renda fixa, conta com ativos de renda variável na carteira. Como apresentam um risco maior que alternativas que investem 100% na renda fixa, são recomendados para investidores moderados e agressivos.

Saiba que a rentabilidade do ano passado não é indicação de que o ano atual ou futuro terá o mesmo resultado. O investidor deve ter um conhecimento mais aprofundado do mercado para que seja capaz de prever melhor o rendimento do fundo.

Para isso, é relevante que o investidor tenha uma corretora com ferramentas completas de análise de mercado. A instituição também deve oferecer suporte de especialistas no ramo, assim você entender melhor sobre o mercado e prever a rentabilidade.

Resgate

A forma de resgate e os prazos dependerão dos termos de cada fundo. Normalmente, Fundos Multimercados preveem prazo de carência mais longos para resgatar cotas. Isso ocorre porque, muitas vezes, os títulos são difíceis de negociar.

O prazo para resgatar valores é indicado pela abreviação Dia Atual + X. Em uma aplicação D+3, por exemplo, o dinheiro será resgatado três dias úteis depois da solicitação. No caso dos Fundos Multimercados, é comum que o tempo de pagamento seja D+10, D+30, D+90, entre outros prazos longos.

Custos

Taxas reduzem a rentabilidade líquida do investidor, o que torna importante conhecê-las antes de investir no fundo.

Assim como outros tipos de fundos, os multimercados cobram taxas que remuneram os administradores das carteiras. A taxa é divulgada como um percentual anual, mas a cobrança é feita diariamente e de forma proporcional.

Outro custo relevante é a taxa de performance, que remunera os administradores do fundo conforme sua performance. Ela não deve ser vista como algo excepcionalmente prejudicial, mas um incentivo para que o fundo seja mais bem-sucedido, já que será graças ao trabalho exercido pelo administrador que você maximizará seus ganhos.

Tributação

Dois tributos incidem sobre os Fundos Multimercados: o Imposto de Renda (IR) e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A alíquota do IR é de 15% para fundos de renda variável e debêntures incentivadas.

Para os fundos de curto prazo, as alíquotas:

  • até 180 dias: 22,5%;
  • acima de 180 dias: 20%.

Já no caso dos fundos de longo prazo, as alíquotas do IR são:

  • até 180 dias: 22,5%;
  • até 360 dias: 20%;
  • até 720 dias: 17,5%;
  • acima de 720 dias: 15%.

Ainda existe o come-cotas, que são parte do IR que o governo recebe antecipadamente a cada 6 meses. Ele é de 20% para investimentos a longo prazo e 15% a curto prazo. Entretanto, saiba que o come-cotas não existe na renda variável e debêntures incentivadas.

Quanto ao IOF, sua alíquota começa de 96% para aplicações retiradas em um dia. Porém, seu percentual cai gradualmente até 0% no 30º dia de investimento.

Tipos de fundos de investimentos

De acordo com as normas da CVM, existem 4 tipos de Fundos de investimentos no Brasil. Confira quais são eles logo abaixo.

Fundos de Renda Fixa

São aqueles que alocam, no mínimo, 80% dos seus recursos em ativos de Renda Fixa. Como exemplo, podemos citar: Tesouro Direto, CDBs, LCIs, LCAs, entre outros.

Uma variação é o Fundo de Crédito Privado, que aloca mais de metade do seus recursos em ativos privados (como CDBs).

Fundo Cambial

São Fundos que investem, no mínimo, 80% do seu patrimônio líquido em ativos focados em acompanhar a variação de valor entre moedas estrangeiras.

Fundo de Ações

Esses Fundos investem, no mínimo, 67% de todos os seus recursos em ações disponíveis na Bolsa de Valores ou em ativos que são derivados de ações.

Fundo Multimercado

São todos os Fundos que não se encaixam nas categorias anteriores e têm liberdade para investir como quiser.

Categorias e estratégias de investimento

Agora que você já sabe o que é um Fundo Multimercado, é preciso entender que existem diferentes categorias desses Fundos. Portanto, os Fundos são divididos com base na estratégia de investimento realizada pelo gestor. A Anbima classifica os Fundos Multimercados nas seguintes categorias.

Arbitragem

São Fundos que operam em busca de distorções entre dois ativos diferentes no mercado. Por exemplo: uma estratégia pode ser a venda de uma posição no Ibovespa para comprar dólar americano em momento de queda da Bolsa de Valores.

Balanceados

São Fundos Multimercados que trabalham com diversificação de investimentos e com foco no longo prazo. Devem ter, em suas regras, o mix de ativos que deverá comprar, quanto será aplicado em cada classe e como as mudanças podem ser feitas.

Capital Protegido

Essa categoria de Fundo Multimercado é formada pela estratégia de buscar proteção total e parcial do investimento, mas sem abrir mão de uma boa rentabilidade potencial. São Fundos que trabalham com vários ativos, mas não fazem alavancagem.

Estratégia específica

São Fundos que trabalham com diversas classes de ativos, mas focam seus esforços em encontrar oportunidades de riscos muito específicos para obter lucro. Por exemplo: costumam investir em índices da economia ou em commodities.

Juros e moeda

Nessa categoria, os Fundos Multimercados investem em ativos de Renda Fixa cuja rentabilidade é atrelada ao risco de juros. Além disso, aplicam na variação de preços e na flutuação do valor das moedas estrangeiras.

Long & Short

Nessa categoria, o gestor do Fundo Multimercado realiza uma operação de short. Esse termo em inglês é o famoso “operar vendido”, ou seja, quando vende uma ação que foi alugada e que espera-se que vá se desvalorizar. Com o dinheiro da venda, ele faz um long, que é a compra de papéis de uma empresa que espera-se uma valorização.

Macro

Nesses Fundos Multimercados, os gestores elaboram suas estratégias com base na antecipação do preço de determinados ativos com base em variações no cenário macroeconômico nacional.

Multiestratégia

São os Fundos que trabalham com mais de uma estratégia listada aqui ao mesmo tempo. Nesse caso, os gestores exploram ao máximo a flexibilidade desses Fundos para buscar o melhor lucro possível com base na análise global da economia.

Multigestor

Esse é o caso de um Fundo Multimercado que tem mais de um gestor. A ideia é que cada profissional fique responsável por alocar parte do dinheiro em um ativo diferente, garantindo maior especialização na gestão do Fundo.

Trading

Nesta categoria, o foco do gestor é encontrar ganhos com base nos movimentos de curto prazo dos ativos, normalmente em questão de dias ou semanas.

Custos e riscos de investir em Fundos Multimercados

Agora que já entendemos bem quais os diferentes tipos de Fundos Multimercados, é hora de falar sobre os custos de investir nessa modalidade de aplicação financeira.

É preciso ter especial atenção às taxas cobradas para as aplicações nesses Fundos, pois elas podem diminuir consideravelmente os seus ganhos. Isso acontece, especialmente, se a aplicação não render o esperado. Existem quatro principais custos nessas operações. São eles:

  • Taxa de saída: é cobrada quando o investidor quer resgatar sua cota no Fundo. Normalmente, ela só é cobrada dentro de um determinado prazo, como forma de incentivar a aplicação por mais tempo;
  • Taxa de performance: é cobrada quando o rendimento supera um benchmark específico. É uma espécie de incentivo para que o gestor busque o melhor resultado possível;
  • Taxa de administração: é o pagamento mais comum e serve para remunerar a corretora, banco ou gestora do Fundo em questão;
  • IOF e Imposto de Renda: o IOF é cobrado apenas em resgates com menos de 30 dias da aplicação. Já o Imposto de Renda só é cobrado quando o Fundo investe em um ativo que é tributado. Nesse caso, ele é cobrado na fonte.

O perfil do investidor ideal para os Fundos Multimercados

Se você quer obter sucesso com investimentos em Fundos Multimercados, precisa entender que eles são feitos para um perfil a partir de moderado. Ou seja, perfis moderados e, em alguns casos, perfis agressivos, lembrando que o investidor moderado é aquele que busca um equilíbrio entre risco e rentabilidade potencial.

Já o agressivo tem alta tolerância a riscos e baixa ou nenhuma necessidade de liquidez em curto ou médio prazo. Bons exemplos disso são os Fundos de categoria Long & Short, naturalmente mais arriscados do que os de Capital Protegido.

Por isso, quem tem perfil mais agressivo também pode se interessar em alguns tipos de Fundos Multimercados. No entanto, eles não são investimentos recomendados para quem tem o perfil conservador.

Conclusão

Agora você já sabe bem o que são os Fundos Multimercados e se eles são ou não recomendados para você, com base no seu perfil de risco. Caso você tenha se interessado por eles, lembre-se de verificar a estratégia do gestor. Além disso, verifique o seu histórico de desempenho antes de comprar um cota em um Fundo.

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4 Comentários

  1. Excelentes informações para iniciantes.

    1. Muito obrigada, Pedro! Continue acompanhando os posts do nosso blog 🙂 Um abraço!

    1. Obrigada pelo elogio, Victor! Continue de olho em nossos conteúdos! 😉

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