Os efeitos do aumento dos juros na Bolsa

Na última quarta-feira, dia 04 de agosto, o Banco Central estabeleceu um novo aumento de um ponto percentual na taxa básica de juros, Selic, que passou de 4,25% para 5,25%.

Com este novo cenário, e a expectativa de que taxa aumente ainda mais até o final do ano, o investidor se questiona: como ficam os setores da bolsa? Aonde estarão as melhores oportunidades daqui para frente?

Antes de avançarmos rumo aos setores, vale lembrar que, ainda que o aumento da SELIC se confirme, no momento, as taxas se encontram abaixo do nível que consideramos neutro para o país, de modo que o ambiente estimulativo ao risco não será interrompido com o esperado movimento feito pelo COPOM.

Lembramos que as taxas de juros não são os únicos fatores que influenciam o ritmo de evolução do Ibovespa, e que os fundamentos ainda jogam a favor quando o assunto é investimento em renda variável no país.

O índice preço/lucro do Ibovespa, por exemplo, caiu mais de 30% no ano, mas com o lucro esperado subindo mais de 50%, enquanto o principal índice acionário do país evoluiu menos de 10% em pontos, no mesmo período.

Ou seja, independente do movimento de alta na curva de juros, os preços atuais dos ativos mobiliários no país não refletem os resultados que o mercado aguarda para as empresas brasileiras.

Efeitos na bolsa

Embora algumas teses já possam estar um tanto precificadas, como as empresas que se beneficiam com o atual ciclo de commodities, ou aquelas que aceleraram sua expansão durante a pandemia, como as empresas de e-commerce, não faltam opções de empresas que avistam projetos com atrativas taxas de retorno em seu pipeline.

Lembro ainda que uma atuação do Copom de forma a ancorar as expectativas do mercado seria até mesmo positiva, uma vez que o aumento de agosto já está precificado e que as expectativas futuras podem exercer alto poder sobre o desempenho do Ibovespa.

É evidente que algumas outras variáveis conjunturais podem interferir no resultado desta equação: a instabilidade política, oriunda, em especial da chegada de um novo ciclo eleitoral; a disseminação da variante Delta do coronavírus; além das indefinições quanto ao projeto de reforma tributária podem contribuir para impedir o principal índice acionário do país a superar seu desconto perante si e seus pares, mas não será o previsível aumento de juros o responsável pelo insucesso do mercado de renda variável no país.

Vale reforçar que, no momento, as taxas de juros reais (obtidas através da diminuição dos juros nominais pela inflação) seguem em terreno negativo e estimulativas à busca por risco.

O investidor pode esperar efeitos positivos em bancos, em função do aumento da diferença entre o spread e o custo do crédito.

Além disso, as seguradores também devem ser beneficiadas, devido a possibilidade de melhor remuneração de recursos em caixa; assim como as importadores em geral, uma vez que o aumento da Selic tende a ser acompanhado por um ajuste altista do real perante o dólar.

Os efeitos mais negativos costumam ser sentidos por setores mais cíclicos, como o de construção civil e consumo, cujas maiores taxas de juros também tendem a retirar estímulos de demanda.

Finalizando, destaco que, mesmo com a alta da Selic, o momento segue atrativo para investir em empresas nacionais com bons projetos de crescimento, excessivamente descontadas e que a recuperação da economia também está em curso contribuindo para melhora dos resultados.

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