Decomposição do crédito e suas implicações

No Palavra do Especialista expusermos nossa preocupação com o mercado de crédito, este que foi um dos pilares de sustentação durante a pandemia em 2020, e que com o tempo a fatura será cobrada.

Exaustivamente discutimos o crédito ao governo através da emissão de dívida, mas nosso enfoque hoje serão as informações contidas na nota de crédito do Banco Central.

A coluna focará na concessão de crédito, uma vez que os dados de saldo pouco ajudam a entender a dinâmica do mercado, visto que carregam um estoque grande de modalidade cujos prazos são mais dilatados.

Assim, podemos notar nos gráficos abaixo que, apesar da volatilidade nas concessões ao longo da pandemia, esse instrumento foi amplamente utilizado. Destacamos que no gráfico da direita, dentre os principais impulsionadores de tal movimento, temos em primeiro lugar o “cartão de crédito” para pessoa física e “desconto de duplicada” para pessoa jurídica.

Apesar de “outros” ocupar um espaço relevante, sua dinâmica não é tão impactante na contenção dos danos da pandemia.

Notadamente, a fim de não concentrar a análise apenas em duas modalidades de crédito podemos notar no gráfico abaixo (sem as supracitadas) que “cheque especial” e “crédito pessoal consignado” para PF e “antecipação de cartão” para PJ também mostraram avanço.

Vale pontuar que o “capital de giro” para PJ foi usado na pandemia, mas já foi reduzido de patamar.

Entre as modalidades apontadas acima como um dos pilares de sustentação da economia atualmente notamos um fator em comum, o prazo médio pequeno de concessão. Como podemos ver na tabela abaixo o prazo médio das concessões é baixo, tendo como exceção algumas modalidades, como por exemplo, capital de giro, que já está em queda de volume e consignado, cuja participação mais relevante é de funcionários públicos, cuja insensibilidade à pandemia foi maior por conta da estabilidade.

Assim, podemos afirmar que a fatura chegará muito em breve, principalmente quando o mecanismo de retroalimentação do crédito diminuir. Isso se dará à medida que o endividamento e inadimplência subirem. Por isso passemos a tais análises.

Primeiramente, vale pontuar que a inadimplência foi contida de maneira “artificial” durante a pandemia, e, ainda assim, já começa a mostrar sinais de avanço na margem, seja através do avanço de atraso PF ou a própria inadimplência PJ. A artificialidade citada foi a anuência e por vezes proibição de órgãos de protesto de o fazerem.

Apenas tal avanço já acenderia um sinal de alerta dos órgãos de crédito, impactando na oferta, mas não se trata apenas dessa análise uma vez que o nível de endividamento subiu muito durante a pandemia, atingindo o pico da série histórica.

Em conclusão, os dados acima nos preocupam, uma vez que a antecipação de crescimento é muito de curto prazo e terá sua fatura paga ainda este ano, ainda mais quando os órgãos de crédito restringirem a oferta e as oportunidades de “rolagem” das dívidas, seja pelo avanço da inadimplência ou mesmo pela estafa no endividamento. Não custa lembrar que o setor informal atingiu patamares elevadíssimos de desemprego, reduzindo muito a capacidade de pagamento da população. Embora essa modalidade de emprego esteja recuperando de forma rápida, acreditamos que a velocidade deveria ser maior para observarmos uma queda no endividamento das famílias.

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