Dados do mercado de trabalho surpreendem no final de 2020, mas 2021 preocupa

No Palavra do Especialista de hoje, dissertaremos sobre a atual dinâmica do mercado de trabalho representadas pelos nossos principais indicadores: PNAD e CAGED. Além disso, explanaremos sobre as perspectivas para um 2021 que deve se revelar complicado.

Iniciaremos pelo resultado da PNAD com referência a novembro. Nela podemos observar que a taxa de desemprego atingiu 14,1%, em linha com o esperado pelo mercado. Por outro lado, em termos dessazonalizados houve um avanço na taxa de desemprego de 14,4% para 14,7%.

Vale pontuar que no mês de novembro a economia brasileira vivia um processo de flexibilização nas restrições à mobilidade.

Como podemos observar no gráfico abaixo as variações (absolutas) da força de trabalho e população ocupada tem andado relativamente juntas desde o início da pandemia. Tal sincronia não deverá ser observada ao longo de todo 2021. Inclusive isso justifica, em grande parte, a nossa perspectiva de que o desemprego deverá continuar avançando ao longo deste ano.

Pela mais célere reposição da força de trabalho em comparação com o ocupação de vagas deveremos assistir o desemprego avançar fortemente, principalmente no 1º semestre de 2021.

Vale lembrar que a fiscalmente prudente saída do auxílio emergencial deverá impactar negativamente a dinâmica da economia, ainda que o Bolsa Família, programa social oficial do Brasil entre em substituição de parcela do mesmo.

Deste modo, passamos a análise do surpreendente Caged referente a dezembro. O saldo foi negativo em quase 68k vagas, mas a expectativa mediana do mercado era de -135k. Se por um lado o ritmo de desligamentos avançou, o volume de admissões teve declínio muito menor do que esperado, justificando a surpresa.

Devemos apontar que apesar do resultado negativo, trata-se de um resultado esperado sazonalmente. Quando expurgamos o efeito das demissões associadas ao mês de dezembro, principalmente no tocante à serviços, o saldo permanece bem positivo, gerando mais de 300k empregos em 2020, ano assolado pela pandemia.

É fato que o programa de manutenção do emprego segura o avanço das demissões pelo compromisso contratual de não demitir. De todo modo o resultado é bem positivo. As perspectivas apontadas para a PNAD não são diferentes quando falamos de CAGED, principalmente pela sensibilidade do setor formal ao potencial recrudescimento da pandemia, que já mostra sinais e abala parte da confiança.

Sendo assim, apesar da surpresa positiva nos dados, esperamos um ano difícil para o mercado de trabalho neste ano, onde a taxa de desemprego pode alcançar os 16% com a inclusão dos desalentados e finalizar o ano ao redor de 15,5%. Contudo, projetamos uma recuperação gradual ao longo 2022, com taxa de desemprego regressando ao período pré-pandêmico.

Com a colaboração de Guilherme Sousa, economista da Ativa Investimentos

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