Menos é mais: nossa percepção sobre o novo plano estratégico da Petrobras

A Petrobras divulgou no último dia 26/11 seu novo Plano Estratégico para o próximo quinquênio. Consideramos que o planejamento anunciado veio em linha com as possibilidades e necessidades atuais da empresa e que, suas premissas, corroboram para o fato de a remuneração de seu acionista segue como objetivo número um da Petrobras.

Destacamos ainda a busca por parâmetros mais convergentes com seus pares globais em termos de endividamento e distribuição de proventos, além da adição de métricas sustentáveis à remuneração de seu quadro colaborativo, o que classificamos como positivo.

De antemão, o primeiro dado que chama atenção é a estimativa mais enxuta da curva de produção proposta pela empresa que, diante de uma situação ainda errática quanto à demanda do Brent, se predispôs a produzir menos e focar tal onde consegue extrair maior valor, como na exploração e produção no pré-sal e em águas profundas. As curvas abaixo expõem a diferença entre as estimativas deste plano e a do plano elaborado um ano atrás.

Redução na inclinação da curva foi uma das grandes novidades do novo Plano Estratégico anunciado pela companhia

As maiores diferenças se encontram entre 2022 e 2023, quando a companhia espera que seu Plano de Desinvestimentos já tenha atingido outro patamar. Ademais, no Petrobras Day, a companhia reforçou seu compromisso com o plano de desinvestimentos e se propôs a observar a entrada de U$D 25 a U$D 35 bilhões em função da otimização de gestão de seu portfolio.

Os valores esperados representam um aumento de U$D 5 bilhões nas pontas curta e longa do range frente às estimativas de 2019.  Ademais, o plano de desinvestimentos da companhia merece um comentário adicional: após verificar um 2020 menos potente no recebimento de verbas decorrentes da venda de ativos, é provável que a companhia tão logo acelere seu programa e visualize em 2021 montantes bem diferentes dos até agora recebidos durante este ano. Lembramos que, por conta da pandemia, Petrobras reportou o recebimento de apenas U$D 1 bi no 9M20 via venda de ativos.

Outro ponto que nos chamou a atenção foi a companhia ter reduzido em aproximadamente 27% sua predisposição a investimentos em ativos fixos para o período.  Apesar da atitude representar maior limitação alocativa, ressaltamos que a queda demonstra a diligência financeira com a qual a companhia se predispõe a planejar seus próximos passos, bem como dialoga com a austeridade presente em todo seu novo e coerente plano quinquenal.

Adicionamos ainda que, o montante atrelado ao pré-sal, por exemplo, não mudou, o que nos permite aferir que a companhia continuará buscando alternativas mais simples, lógicas e econômicas de rentabilizar seu portfolio.

A manutenção da régua de aceitação somente para projetos que contemplem um preço do barril internacional de petróleo em até U$D 35 é mais um argumento para esta tese. A companhia ainda auferiu que espera a manutenção do preço do brent em U$D 45 entre 21 e 22.

Outro ponto que destacamos é o fato de Petrobras ter sido ainda mais clara quanto às suas metas de endividamento. Assim como no término de 2019, a companhia projetou o patamar de U$D 60 bilhões como alvo e projetou atingir o valor ao fim de 2022, após atingir U$D 67 bi em 2021. Após o atingimento, a expectativa é que a companhia, que recentemente alterou sua política de dividendos, a tornando mais robusta, realize uma distribuição de proventos ainda mais agressiva em prol do investidor.

O objetivo da companhia é atingir U$D 60 bi em 2022, retornando assim aos patamares do início da década passada

Por fim, mas não menos importante, a companhia anunciou a incorporação de métricas sustentáveis às suas configurações de topo. Para 2021, além do alcance do patamar de U$D 67 bilhões de endividamento bruto e do alcance de um Valor Econômico Adicionado de U$D 1,6 bi, a companhia estipulou que seu desempenho quanto ao volume vazado de óleo e derivados e a intensidade de emissões de gases de efeito estufa incidirão sobre a remuneração de todos os seus colaboradores. Após produzir um guia de conduta ética para fornecedores, a companhia acerta ao rumar à:

  • melhora no reuso d’água;
  • redução de 25% de suas emissões até 2030;
  • nulidade na ocorrência de fatalidades;
  • e à redução de vazamentos.  

Em suma, o novo Plano foi bem enfático ao conduzir a expectativa dos investidores à compreensão de uma Petrobras mais enxuta, diligente, rentável e sustentável, atributos que julgamos positivos e que constituem nossa tese de investimentos.

Ainda que o cenário para o setor de óleo e gás siga difícil de prever, a dinâmica de Petrobras nos parece melhor que a do setor e a divulgação de um plano coerente com o que se espera da empresa neste momento renova nossas expectativas quanto à assertividade na execução dos desafios assumidos pela companhia. Até a próxima!

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