selic e cdi

O que é Selic e CDI? Entenda para investir

Antes de tomar a decisão de realizar qualquer tipo de investimento, é fundamental entender o que significam certos termos, como Selic e CDI, índices de rentabilidade etc. Por exemplo, você sabe como a taxa básica de juros afeta sua carteira e custo de vida? Tanto a Selic quanto o CDI são indicadores econômicos muito importantes para a economia do Brasil. A Selic é a taxa que regula o custo do crédito em todo o país. Por sua vez, o CDI reflete o percentual de juros praticado entre os bancos comerciais.

A seguir, vamos explicar em detalhes o que é a Selic e CDI, como esses índices influenciam seus rendimentos e que cuidados você precisa tomar na hora de fazer uma nova aplicação. Quer saber mais sobre o tema? Então, acompanhe este artigo até o final.

O que é a taxa Selic?

Selic é a sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, representado por um percentual conhecido popularmente por “taxa básica de juros”. Trata-se de um sistema integrado do Banco Central, responsável por registrar todas as operações relacionadas aos títulos do Tesouro Nacional. Um dos principais instrumentos da política monetária do Brasil, a Selic, tomada como taxa livre de risco, serve de base para as operações de crédito no país.

Ou seja, a Selic representa a maior taxa de retorno com o menor risco em todo o sistema financeiro nacional. Assim, ela é utilizada pelos bancos comerciais para financiamento de operações com duração de 24 horas, lastreadas em títulos públicos federais. O objetivo é garantir caixa para o bom funcionamento do sistema financeiro, e o Banco Central se vale disso para intervir na economia.

Como a taxa Selic funciona?

Criada pelo Copom em 1996, a Selic serve como parte de um mecanismo que visa estabelecer as regras para quantidade de dinheiro em circulação no mercado. Portanto, a Selic é a principal ferramenta para execução da política monetária do país, influenciando diretamente o nível de atividade econômica e o controle do nível geral de aumento de preços. A função desse mecanismo é controlar a inflação a partir da manipulação dos juros.

Basicamente, se há uma alta da selic, o crédito se torna mais caro e a população consome menos, forçando a queda dos preços. Por outro lado, se os juros estiverem baixos, o crédito fica mais barato, o que aumenta a demanda de consumo e eleva os preços por consequência. Isso ocorre pois segundo as leis de mercado quanto menor a demanda por um bem, menor é o seu preço, e de maneira inversa, quanto maior a demanda maior também é o nível de preço.

Como e quando a Selic é calculada?

A cada 45 dias, o Copom (Comitê de Política Monetária) reúne especialistas e dirigentes do Banco Central para definir a meta Selic. No entanto, para alcançar o alvo estabelecido, o Banco Central depende dos bancos comerciais, principais fornecedores de crédito ao mercado. Então, por meio da compra e venda de títulos públicos, o Banco Central injeta ou retira dinheiro da economia, buscando interferir no custo das operações de crédito interbancário com duração de um dia. Isso só acontece porque os bancos estão constantemente emprestando dinheiro entre si. Mas para quê?

Esses empréstimos existem porque os bancos comerciais, para se manter solventes, são obrigados por lei a ter em caixa, ao fim do dia, determinado percentual de todos os recursos sob sua custódia. Essa lei existe para prevenir o colapso do sistema financeiro, caso muitos clientes decidam sacar seus recursos ao mesmo tempo. Quando os bancos não têm essa fração de recursos ao final do dia, precisam pedir o valor emprestado a outro banco. Nessa operação, títulos públicos podem ser usados como garantia. Assim, a taxa trabalhada nesses empréstimos de curtíssima duração é calculada pelo sistema Selic, definindo efetivamente a taxa básica de juros praticada no país, também conhecida como Selic overnight.

Como a Selic afeta os investimentos?

Da mesma maneira que a Selic influencia os juros pagos pelo consumidor no caso de um empréstimo, ela também altera a rentabilidade dos investimentos. Afinal, uma aplicação financeira é uma espécie de crédito em que você empresta dinheiro ao Governo (Títulos Públicos), a um banco (CDBs, LCAs, LCIs etc.) ou a uma empresa (no caso das Debêntures). Nas aplicações de Renda Fixa, quando o cálculo do rendimento é pós-fixado, é necessário que haja um indexador econômico para lastrear a rentabilidade da aplicação, e esse indexador pode ser a Selic.

Indexador é o nome dado aos índices que servem de referência no mercado no qual também são baseados muitos modelos de remuneração. É o que acontece com o Tesouro Selic, uma aplicação do Tesouro Direto. Nesse investimento, a variação da taxa Selic impacta diretamente a rentabilidade do título, uma vez que ele rende exatamente o percentual da taxa. Ou seja, caso a taxa Selic caia, observa-se menor rentabilidade, e vice-versa.

Resumindo:

  • Selic baixa — menos juros para empréstimos e financiamentos, mas rentabilidade mais baixa em certos investimentos;
  • Selic alta — juros altos em empréstimos e financiamentos, mas maior rentabilidade em certas aplicações.

O que é CDI?

Você aprendeu que os bancos comerciais emprestam dinheiro entre si para manter em caixa uma fração dos recursos sob sua custódia. Mas nem todas essas operações de crédito são garantidas por títulos públicos. O CDI, ou Certificado de Depósito Interbancário, é um tipo de garantia privada altamente líquida utilizada entre instituições para financiamento de suas operações diárias, exatamente como acontece com os títulos do Tesouro Nacional. A negociação desses títulos privados determina a taxa DI, percentual de juros praticado entre os bancos.

Dada a semelhança dessa dinâmica de garantias, às taxas Selic e CDI são geralmente muito próximas, com o CDI superando por ligeira diferença. A razão dessa diferença está no fato de que a Selic é garantida pelo próprio Banco Central, relativa, portanto, ao risco-país. Em tese, isso significa que a Selic é mais segura, logo, menos onerosa. Isso não quer dizer, no entanto, que títulos atrelados ao CDI sejam necessariamente mais arriscados. De fato, muitas aplicações com rentabilidade orientada por esse índice oferecem condições de garantia que as tornam, para todos os efeitos, tão seguras quanto os títulos públicos.

Como o CDI afeta os investimentos?

Na hora de optar por um investimento bancário, é fundamental ter atenção ao CDI. Isso porque é comum vermos os bancos oferecendo produtos com determinada rentabilidade sobre o CDI. Nesses momentos, nos deparamos com expressões do tipo: “invista em um CDB com rendimento de 100% do CDI”. Mas o que isso significa? Assim como no caso dos títulos indexados pela Selic, grande parte das aplicações e fundos de investimento de Renda Fixa com rentabilidade pós-fixada tem o CDI como referência de remuneração.

Logo, fazer um investimento com 100% do CDI quer dizer que o banco promete remunerar o investidor a uma taxa de juros idêntica à praticada entre os bancos. Seguindo a mesma lógica, certas aplicações podem também oferecer rentabilidade inferior ou superior ao CDI (98% ou 110% do CDI, por exemplo). Mas atenção: escolher uma aplicação apenas pelo rendimento que ela oferece sobre o CDI pode não ser a melhor estratégia. A liquidez do título, por exemplo, não deve ser desconsiderada.

É possível investir diretamente no CDI?

Como vimos, o CDI é um título que só é transacionável entre as instituições bancárias. Logo, não é possível para o investidor comum ter acesso a esse tipo de produto. Portanto, os investidores não aplicam diretamente no CDI mas sim em outros produtos que têm esse indicador como referência para o pagamento de suas remunerações. A seguir, conheça as principais aplicações que têm o CDI como indicador de rentabilidade!

1. CDB

Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) são um dos investimentos mais populares no Brasil, depois da poupança. Funcionam como um tipo de empréstimo independente a instituições financeiras, que usam essa aplicação para financiarem suas operações. Muito usado para construção de reservas de emergência, o CDB é o principal competidor do Tesouro Selic no mercado de rendas.

Oferecendo diversas condições de liquidez, o investidor tem a oportunidade de proteger o poder de compra do seu dinheiro sem precisar imobilizar seu capital. Entre as vantagens do CDB, estão o fácil acesso a pequenos investidores (investimento mínimo costuma partir de R$ 100) e a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A proteção é de até R$ 250 mil, considerando capital e rendimentos.

2. LCI e LCA

As Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCIs e LCAs) também têm o CDI como um de seus indicadores de rentabilidade. Emitidos por bancos, essas aplicações têm uma finalidade específica: financiar o agronegócio e o setor imobiliário.

Como essas áreas contam com incentivo fiscal no Brasil, os investidores dessas Letras de Crédito desfrutam da vantagem de estarem isentos do Imposto de Renda (IR). Além disso, LCIs e LCAs também têm cobertura do FGC, como os CDBs.

3. CRI e CRA

Outro par de investimentos que conta com isenção de IR, pela mesma razão, são os Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio (CRIs e CRAs). Cumprem a mesma função das Letras de Crédito relativas. Sua principal diferença está no fato de que apenas securitizadoras podem emitir CRIs e CRAs.

Basicamente, elas transformam crédito em títulos negociáveis com rentabilidade atreladas ao CDI, IPCA e/ou taxas fixas. Porém, esses títulos não têm cobertura do FGC, por isso costumam ser mais rentáveis, para compensar essa desvantagem.

Como calcular a rentabilidade dos investimentos usando as taxas Selic e CDI?

Já está claro que, ao investir em um produto de Renda Fixa, você está emprestando dinheiro ao Governo, a uma instituição bancária ou a uma empresa para recebê-lo de volta com juros, certo? Você também viu que algumas aplicações contam com a rentabilidade indexada pela Selic e outras com a rentabilidade indexada pelo CDI. Recapitulando:

  • a Selic é usada para investimentos em títulos públicos (como Tesouro Direto);
  • o CDI é utilizado para investimentos em títulos privados, como CDB, LCI, LCA etc.

Agora, para que você possa aprender a calcular oportunidades de investimento com base nesses indicadores, é preciso entender outro índice muito usado no mercado financeiro: o IPCA (Índice de Preços aos Consumidor Amplo), que mede a inflação no país. Grosso modo, o IPCA calcula, em percentuais, o encarecimento anual dos principais serviços e bens de consumo do país. Por outra perspectiva, trata-se de quanto a moeda brasileira perde valor dentro do próprio mercado em um ano.

Assim, uma das razões para investir é conservar o poder de compra do seu dinheiro. Por exemplo, suponha que Selic e CDI estejam em 7%, mas a inflação acumulada no ano, medida pelo IPCA, seja de 8% (situação parecida com o cenário econômico de novembro de 2021 no Brasil). Nesse caso, ao fim de 1 ano de investimento em uma aplicação em Renda Fixa atrelada à taxa básica, seu dinheiro terá desvalorizado em 1%. No entanto, a partir desse cálculo, você sabe que -1% é a expectativa mais conservadora de rentabilidade real em qualquer investimento.

Dessa forma, você tem o parâmetro mais seguro para analisar alternativas. Portanto, mesmo quem deseja investir na Bolsa deve acompanhar a variação das duas taxas, já que elas ajudam a explicar a situação da economia brasileira, que afeta diretamente o desempenho das empresas no mercado de ações. Agora você sabe o que é Selic e CDI e por que esses indicadores são tão importantes para o mercado. Seja fazendo aplicações em títulos públicos ou privados, o fundamental é acompanhar constantemente a economia do país e a oscilação das taxas.

Quais as diferenças e semelhanças entre Selic e CDI?

Até aqui podemos observar que tanto o CDI como a Selic são indicadores importantes para o monitoramento do desempenho econômico do país e para a tomada de decisões sobre os investimentos. CDI e Selic apresentam uma relação próxima, pois ambas são baseadas nas transações interbancárias e também são utilizados como referência para remuneração de diversos ativos, principalmente em renda fixa.

Em relação às diferenças entre essas taxas podemos citar a sua aplicação. Assim, o CDI é o principal referencial de produtos como as LCs, fundos DI e CDBs, enquanto a Selic é utilizada para determinação da rentabilidade da poupança, a definição da taxa básica de juros nacional e uma ferramenta de política monetária.

Quais os cuidados necessários com a Selic e o CDI?

Por fim, resta ainda destacarmos quais os cuidados devem ser tomados ao utilizar a Selic e CDI como referência para a tomada de decisões. Como vimos, ambas as taxas são utilizadas como padrão para definição da remuneração de diferentes ativos. No entanto, ao avaliarmos uma oportunidade de investimento devemos observar outros critérios além da rentabilidade como a liquidez ofertada (facilidade em converter a aplicação novamente para moeda corrente) e o risco associado ao produto.

Dessa forma, há expectativa de retorno deve ser apenas mais um dos critérios a serem considerados e não o único. A definição do perfil do investidor (seja ele conservador, moderado ou arrojado) também é fundamental, pois é a partir dela que podemos construir uma carteira com as proporções adequadas de ativos de renda fixa e variável conforme cada perfil. Portanto, continue os seus estudos sobre os principais indicadores financeiros e econômicos, porém tenha sempre em mente que as melhores decisões são aquelas embasadas em um conjunto maior de dados e informações.

Gostou do artigo? Já consegue identificar as principais características e diferenças entre a selic e cdi? Então, aproveite para curtir a página da Ativa Investimentos no Facebook e assim ter acesso a conteúdos relevantes para a sua educação financeira.

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