Os preços administrados de 2022

Na palavra do especialista de hoje, destrincharemos os preços monitorados em nossa estimativa de IPCA de 2022. Assim, falaremos sobre os principais pontos que motivaram nossas projeções.

Conforme exposto no gráfico abaixo, projetamos que os preços administrados no ano que vem ficarão em apenas 2,8%. Chega ser estranho pensar que esse conjunto, conhecido por ter grande parte de seus componentes atrelados à inflação passada, ter uma perspectiva tão baixa após o IPCA avançar mais de 8% (há quem diga 9%) em 2021.

Nossa projeção “baixista” é guiada por idiossincrasias de alguns itens “não inerciais” dos administrados. Destacamos os combustíveis, que tiveram forte correção em 2021, mas com perspectiva de Petróleo ao redor de US$72/barril, e o câmbio muito próximo do patamar atual, a variação fica muito próxima de zero, fazendo uma âncora para o agrupamento administrados.

Energia elétrica, na nossa avaliação, também deverá ser um fator de retenção do grupo, uma vez que a bandeira escassez hídrica, garantida até o final de abril de 2022, deverá aliviar os reajustes anuais, deixando-os próximos a 6,5%. Evidentemente que se pressupõe que o regime hídrico retornará à normalidade. Assim, com a perspectiva de que no final de 2022 teremos bandeira vermelha 2 (à R$9,5/100kWh), vindo do atual patamar de R$14,2/kWh, temos uma projeção agregada de energia para o ano de apenas 0,9%, outra ancora para administrados.

Seguiremos com maiores detalhes após os dados.

Taxa de Água e Esgoto

A projeção do subitem taxa de Água e Esgoto, por sua vez, ainda que tenha certo grau de discricionariedade por parte de algumas agências reguladoras, tem alto componente inercial. Assim, o reajuste no ano de 6,6% é produto da projeção da inflação acumulada no mix (IPCA e IGP-M) na época dos aniversários de reajustes de cada uma das companhias.

Gás de botijão, Gasolina e outros derivados de petróleo

Os itens acima refletem a política de preço da Petrobras, que por sua vez segue “relativamente bem” os respectivos preços internacionais. Assim, devemos olhar para a perspectiva sobre petróleo e para o câmbio.

O Petróleo não deve sair de tal patamar, ao redor de US$72/barril, visto que em patamares muito maiores do que esse começa a viabilizar a entrada no mercado de extratoras de óleo de xisto, algo que o cartel da Opep+ não deseja. Pela ótica da demanda global, ainda que tenhamos recentemente vivido alguns soluços nas atividades de China, EUA e Europa, as perspectivas permanecem sólidas.

Claro que nossa projeção não contempla eventuais pioras no Covid, com novas variantes, e nem outros movimentos econômicos muito bruscos. Assim, contamos com ECB, PBoC e Fed “bem-comportados”.

No tocante ao câmbio nossa perspectiva, dado a situação brasileira não é de melhora. Já no início de 2022 a agenda legislativa e do executivo deverá ser paralisada por conta das eleições (se é que já não está), e eventuais avanços na agenda de reformas parece remoto.

Assim, não esperamos grandes oscilações de Gasolina (1,2%), Óleo Diesel (0,0%) e Gás de Botijão (3,3%). O gás encanado os preços regidos por contrato na ponta, e não no início da cadeia como os demais combustíveis citados, tem no seu reajuste outros componentes inerciais que acabaram puxando a perspectiva de reajuste para 6,6%.

Vale pontuar que estimamos que a atual defasagem, de cerca de 15% dos preços da gasolina, não deverá ser corrigida ao longo do ano que vem, deixando o preço doméstico no mesmo patamar.

Energia elétrica

Esse subitem especificamente tem diversas especificidades, mas um elevado grau de incerteza. Nossa projeção para energia elétrica ficou em 0,9%, produto da “normalização” bandeiras tarifárias a partir de maio, e o reajustes das distribuidoras.

No caso das bandeiras, a sobretaxa de R$14,2/100kWh, denominada bandeira de escassez hídrica, será extinta, sendo substituída pela bandeira vermelha patamar 2, cotada a R$9,5/100kWh. Tal troca ocorre a partir de maio. Por hipótese, uma vez que projetar o clima para todo 2022 é tarefa hercúlea, avaliamos que o ano terminará ainda em patamar vermelha 2. Assim, o desconto no subitem energia é de 6,5%.

Esse valor é compensado por reajustes de distribuidoras de cerca de 7,5% em média.

Bem ou mal, avaliamos que a criação da bandeira escassez hídrica será suficiente para compensar o déficit financeiro observado pelas companhias que compraram energia mais cara oriunda de termoelétricas, conseguindo aplacar os reajustes que chegaram a ser projetados para além dos dois dígitos.

Transporte público

A começar pelo ônibus urbano, avaliamos que, como o ciclo eleitoral do ano que vem será para esferas além dos municípios, os reajustes serão dados normalmente, compensando a inflação, mas considerando uma redução de frota em circulação. Assim o reajuste projetado é da ordem de 5,2%.

No caso de Trem e Metrô, ambos com reajustes projetados 0,0%, e ônibus intermunicipal (1,5%) deverão sofrer bastante com o ciclo eleitoral, uma vez que as alterações nas tarifas são determinadas/influenciadas pelos governos, aos quais muitos incumbentes procurarão a reeleição.

Deste modo, a integração do transporte público acaba refletindo o avanço nos preços de ônibus urbano e a estabilidade dos ferroviários, subindo apenas 1,5%

O transporte de ônibus interestadual tem tido reajustes de magnitudes pequenas nos últimos anos, ao que tudo indica sob os efeitos do maior acesso da população ao transporte aéreo. Assim, projetamos que, em reflexo de avanço nos custos, e com um breve restabelecimento da demanda após a pandemia, o subitem deverá exibir alta de 4,7% esse ano.

Táxi

Por sua vez, os táxis também deverão ter reajuste nulo por algo que vem sendo conhecido como “efeito aplicativo”. Apenas uma praça tem tido reajustes periódicos desde o início da era dos aplicativos, Rio de Janeiro. No mais, muitos aplicativos estão incorporando frotas inteiras de táxis em seus serviços pelo celular, o que mitiga pressões e greves por reajustes.

Emplacamento e licença

Como visto na tabela acima, o subitem emplacamento e licença, de acordo com nossas projeções, será o vilão dos administrados em 2022.

Segundo a metodologia, o IPVA é um percentual do valor venal do veículo em setembro do ano anterior. Como a inflação é uma variação no tempo, podemos nos valer basicamente da variação do preço dos veículos, partindo do pressuposto que os percentuais cobrados por praça não irão se alterar.

Deste modo, o que se observou ao longo de todo 2021 foi um avanço sobremaneira no preço de automóveis usados e novos, o que evidentemente está refletido na nossa perspectiva de avanço de 15,3% de emplacamento e licenças.

Destacamos que nossos modelos apontam para coeficientes de cerca de 60% para autos novos e 40% para autos usados.

Produtos farmacêuticos

Anualmente a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) determina qual o reajuste máximo que os medicamentos poderão sofrer ao longo do próximo ciclo. De acordo com a metodologia o percentual de reajuste é determinado a partir do IPCA há época do reajuste (12 meses findados em fevereiro) descontado o fator de produtividade (X), somados os fatores de custos do mercado (Y) e o fator de concorrência (Z) (divididos em três faixas a depender do grau de concorrência).

Para o IPCA o que melhor fit é observado na faixa 2 de autorização de reajuste, conforme podemos observar no gráfico abaixo. Para a projeção da autorização do reajuste para 2022, nos valemos da projeção do IPCA (em 12 meses) de fev/22, de 8,1%, no X usamos a média histórica de 2,2%, no Y projetamos que não serão adicionados custos e no Z a faixa 2 é exatamente o X dividido por 2.

Deste modo projetamos que de abril a junho deveremos observar os preços de medicamentos avançando 7,0%, que somados às demais oscilações do ano chegamos à projeção de 7,7% no ano.

Plano de saúde

Por fim, o último item da nossa análise é o plano de saúde, no qual estimamos um avanço de apenas 2,4% no IPCA. Até junho deveremos assistir a taxa negativa de 0,71%, decidida pela ANS e que entrou em vigor esse ano. Lembrando que a taxa determinada pela agência é mensalizada para entrar no índice de inflação.

Em julho deveremos assistir a ANS autorizar um reajuste da ordem de 8,2% conforme nossas estimativas, produto de uma IPCA de 2021 descontado o próprio plano de saúde, e um avanço das despesas assistenciais (VDA) voltando a 90% do que se observou em 2019.

Vale pontuar que apesar do primeiro trimestre pujante, que poderia sinalizar um avanço de cerca de 16% da VDA, esperamos uma normalização dos procedimentos eletivos no segundo semestre, avaliando que a alta sobremaneira observada no início de 2021 é produto de um represamento de procedimentos.

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