Elevamos nossa perspectiva de Selic para 2021

No Palavra do Especialista de hoje falaremos sobre a taxa Selic e as nossas perspectivas para o futuro da taxa de juros no Brasil. No mês de abril muito se discutiu sobre orçamento, política e CPIs, enquanto a política monetária, ponto hipersensível a todos esses temas, e outros, por vezes acabou ficando relegada nos jornais. Contudo, tivemos algumas mudanças conjunturais que ensejaram por alterações no cenário da Ativa Investimentos para a Selic ao longo de 2021 e é isso que discutiremos na Carta Macroeconômica Mensal deste mês. As próximas decisões da autoridade monetária, inclusive considerando a reunião da semana que vem, o Comitê de Política Monetária (Copom) terá meta de inflação apenas sobre as expectativas de 2022, por isso, o avanço da mediana das expectativas de IPCA foi um fator determinante para alteração do nosso cenário.


A expectativa central coletada no Boletim Focus do BCB subiu de 3,50% (meta para a referência) para 3,60% em 2022. O avanço pode ser combatido ao longo dos próximos 12 meses com impacto relevante. Assim, a autoridade monetária, que optou por começar um ciclo de alta de juros de maneira mais agressiva na reunião de março, ao passo de +75bps, tem a oportunidade de demonstrar toda a austeridade contra a inflação e o compromisso com sua meta mantendo o passo observado em março. Deste modo, ficam os questionamentos sobre o quão longo será tal curso. Mas para responder à isso será necessário decompor a inflação e seus desvios. Bem como avaliado pelo Fed em reunião recente, a inflação está muito mais associada a um choque de commodities muito em função de um “descasamento” das cadeias de produção, o que tem caráter temporário. Assim fica mais fraca a hipótese de que se trata de uma demanda estrutural.


O Banco Central (BC), em sua atuação de política monetária, pouco consegue afetar os preços de commodities. Se considerarmos os preços formados internacionalmente o efeito é praticamente nulo. Assim, além de praticamente inócuo o combate a esse tipo de choque, trata-se de algo que será ineficiente pelo caráter temporário. Entretanto, se fosse exclusivamente assim não se faria necessária a elevação da Selic, uma vez que tudo irá voltar. De fato, o problema são os efeitos secundários de tais choques. A autoridade faz tal controle demonstrando rigor e compromisso com as metas de inflação. Contudo, o BC não pode negligenciar que a inflação é temporária e a reversão do choque levará consigo parte relevante das expectativas.


Atualmente a inflação trabalha com uma âncora gigantesca, que é a ociosidade da economia. Trata-se de algo estrutural, que expurgados os choques, deixará a inflação em patamar baixo. Tal ociosidade, refletida através do hiato do produto ou do hiato do emprego, também vem sofrendo alguns problemas. Por ser uma variável não observável, a mesma é extraída através de métodos em que expurgar efeitos transitórios é complexo e pode levar a distorções.


Apenas dois exemplos tornarão claras as dificuldades. O primeiro está associado aos auxílios emergenciais, que são de fácil precificação, mas cujo multiplicador também é não observável. O outro está associado às estatísticas, uma vez que tanto censos quanto pesquisas amostrais estão sendo afetadas pela pandemia. Mesmo mediante as diversas dificuldades, ao expurgarmos efeitos transitórios e aplicarmos correções às estatísticas, podemos observar uma nítida ociosidade econômica. Dentro da inflação a amplitude do hiato pode ser observada em alguns núcleos de serviços.


Tal ociosidade prescreve que a política monetária permaneça estimulativa. Como estimamos que o juro neutro do BC esteja no intervalo entre 6,0-6,5%, avaliamos que a Selic deverá interromper seu ciclo de alta abaixo de tal patamar. Estimamos através de uma curva de Phillips que esse nível passou a ser 5,0%, ante 4,5% projetados anteriormente.

Juntando a linha de raciocínio que o BC deve mostrar rigor no controle inflacionário, com a necessidade de se manter a economia estimulativa, projetamos que a autoridade deverá promover três outras elevações de 75bps ao longo das próximas reuniões, conduzindo o juro a 5,0%.
Esse ciclo altista voltaria a ser retomado apenas no 4T22, quando o juro seria conduzido com duas elevações de 50bps à 6,0%.


Vale pontuar que a alteração na Selic média de 2022 reduz o PIB do ano marginalmente, de 2,3% para 2,2%. Assim a inflação ficará em 3,e%, abaixo da meta de 3,5%. A projeção para os indicadores de 2021 passam incólumes à essa alteração de política monetária, com o PIB permanecendo em 2,7% e a inflação em 5,1%. Até a próxima!

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