A comunicação do Banco Central e a trajetória da Selic

No Palavra do Especialista de hoje, discutiremos sobre a comunicação recente do Banco Central (BC) que, após decisão do Copom e da ata da mesma reunião, trouxe consigo as implicações, ou não, sobre o cenário de política monetária.

Na quarta-feira (28/10), o Copom, conforme amplamente esperado, manteve os juros a 2,0%. Nesse comunicado, a autoridade não poderia negar o recente avanço nos preços. Contudo, o comitê ressaltou que “…apesar da pressão inflacionária mais forte no curto prazo, o Comitê mantém o diagnóstico de que esse choque é temporário, mas monitora sua evolução com atenção”, caracterizando novamente o choque como temporário.

As projeções do BC, em decorrência de surpresas recentes, mostraram natural avanço, até mesmo porque as expectativas de mercado também subiram recentemente. Entretanto, além de reafirmar o forward guidance (instrumento de diretriz futura sobre a taxa de juros), algo que se especulava a remoção, a autoridade confirmou nosso call ao afirmar categoricamente que as projeções de inflação estão “significativamente abaixo da meta” e que “…as expectativas de inflação de longo prazo permanecem ancoradas”.

Fora isso, “o Comitê considera adequado o atual nível de estímulo monetário que vem sendo produzido pela manutenção da taxa básica de juros em 2,00% a.a. e pelo forward guidance adotado em sua 232ª reunião, segundo o qual o Copom não pretende reduzir o grau de estímulo monetário desde que determinadas condições sejam satisfeitas”.

Por sua vez, na ata do Copom, a comunicação do BC tornou-se mais clara e objetiva, principalmente no tocante a eventuais alterações da Selic.

No parágrafo 14, o BC explicita que a maioria dos membros avalia que novos cortes poderiam gerar instabilidade adicional, refutando de vez eventuais baixas na taxa de juros.

Já no 17, o Banco Central tornou mais transparentes as discussões sobre o forward guidance. Ressaltou que a política monetária está adequadamente estimulativa, já considerando os atuais riscos fiscais, uma vez que não foram suficientes para impulsionar as expectativas de inflação para além do alvo da meta.

Complementando no parágrafo 18, em que a autoridade afirmou que a queda do FG ocorrerá caso a trajetória da dívida pública seja alterada ou a âncora fiscal seja comprometida. Com isso, a barreira para uma queda do FG fica relativamente alta, uma vez que descalabros fiscais pontuais e de inferior magnitude não afetam a condução da política monetária, sendo necessário, algo substancialmente relevante para que a existência do FG venha ser questionado.

Em suma, apesar de deixar claro que as chances de derrubar a Selic são mínimas, o BC também tornou mais transparente a barreira ao processo que poderia levar à uma alta dos juros, que, avaliamos, é bem elevada, uma vez que descalabros estruturais sobre o fiscais parecem que estão sendo bem contidos dentro do executivo e do legislativo.

Deste modo, tendo em vista a comunicação recente do BC, não alteramos (e ainda reafirmamos) a perspectiva de que a Selic deverá permanecer estável, em 2,0%, por todo 2020 e 2021, com eventual elevação apenas no inicio de 2022. Até a próxima!

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