✖
  • Não há sugestões porque o campo de pesquisa está em branco.

Títulos de crédito privado: o que são, tipos, riscos e quando investir

Por: Time Ativa
18/03/2020
6 min

Títulos de crédito privado: o que são, tipos, riscos e quando investir

Por Ativa Investimentos

Publicado em 18/03/2020

Revisado em 25/09/2026

 

Títulos de crédito privado são títulos de dívida emitidos por empresas e securitizadoras para captar recursos no mercado. O investidor empresta dinheiro ao emissor e recebe juros, prefixados ou atrelados a um indicador como CDI ou IPCA. Os principais tipos no Brasil são CRI, CRA e debêntures. Como não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), tendem a oferecer prêmios maiores que CDBs, LCIs e LCAs, em troca de mais risco de crédito.

Conteúdo educacional. Este artigo é publicado por uma corretora de valores e tem finalidade informativa. Não é recomendação de investimento e não garante rentabilidade. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.

Resumo rápido

- O que são: títulos de dívida de empresas e securitizadoras negociados no mercado.
- Tipos: CRI (imobiliário), CRA (agronegócio) e debêntures (empresas em geral).
- Remuneração: prefixada ou atrelada a indicadores como IPCA e CDI.
- Garantia: não têm cobertura do FGC.
- Principais riscos: crédito (calote), liquidez e mercado.
- Perfil típico: investidores dispostos a assumir risco de crédito, com horizonte de médio e longo prazo.

O que são títulos de crédito privado?

Quando o governo precisa arrecadar recursos para cobrir despesas, uma das estratégias é emitir títulos de sua dívida, oferecidos ao mercado em troca de uma remuneração prefixada ou atrelada a algum indicador da economia.

O mesmo mecanismo existe para empresas privadas: elas lançam em oferta pública títulos de suas dívidas para levantar recursos e sustentar suas atividades.

Na prática, os títulos de crédito privado são um mecanismo do sistema financeiro para dinamizar a atividade econômica. O investidor financia empresas e é remunerado por essa participação.

Títulos de crédito privado × títulos privados: qual a diferença?

A distinção a seguir é didática e ajuda o investidor iniciante a não confundir dois grupos de ativos:

Aspecto Títulos privados (bancários) Títulos de crédito privado
Quem emite Bancos e instituições financeiras Empresas e securitizadoras
Exemplos citados CDB, LCI, LCA CRI, CRA, debêntures
Cobertura do FGC Sim, nos produtos elegíveis Não
Risco assumido Principalmente do banco emissor Risco de crédito do emissor/devedor


As securitizadoras são as organizações responsáveis por transformar dívidas em ativos lastreáveis. Como o investidor assume o risco de crédito, esses papéis costumam ser mais adequados a perfis a partir do moderado.

Rentabilidade e risco de crédito: por que o retorno tende a ser maior?

Em termos simples, risco de crédito é a possibilidade de calote. Diferentemente dos títulos públicos e dos títulos bancários elegíveis, os títulos de crédito privado não têm cobertura do FGC, vale consultar no site do próprio FGC quais produtos são abrangidos.

Por conta disso, a rentabilidade desses títulos tende a ser maior que a de outros ativos de renda fixa, como CDBs, LCIs e LCAs. Com retorno mais atrativo, as empresas aumentam as chances de financiar seus projetos.

É de se esperar, portanto, que organizações menores ou com risco percebido mais alto ofereçam condições mais generosas na oferta de seus títulos, mantendo a lógica de proporção entre risco e potencial de retorno.

Quais são os tipos de título de crédito privado?

Há no Brasil três tipos principais ligados ao financiamento de setores específicos da economia. Todos podem ter rentabilidade prefixada ou atrelada a um indicador econômico (IPCA, CDI etc.).

O que é CRI?

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários são títulos de dívida relativos a custos do setor imobiliário (construção, infraestrutura, urbanização). Parecido com uma LCI emitida por bancos, o CRI é isento de Imposto de Renda para o investidor pessoa física, como forma de incentivo do governo ao setor.

O que é CRA?

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio cumprem função semelhante à de uma LCA: são o meio pelo qual as empresas cobrem custos do agronegócio. Também contam com isenção de Imposto de Renda para o investidor pessoa física, como incentivo ao setor.

O que são debêntures?

As debêntures são títulos emitidos por empresas privadas para cobrir suas despesas, ofertados pelas próprias companhias. A emissora precisa ser sociedade anônima de capital aberto ou fechado, mas apenas as companhias abertas com registro na CVM podem realizar emissões públicas.

Existem ainda as debêntures incentivadas, que destinam os recursos captados ao financiamento de projetos de infraestrutura considerados essenciais e estratégicos pelo governo federal.

Onde conferir as informações de cada emissão:  documentos da oferta e registro na CVM, dados de negociação e características dos papéis na B3, referências de mercado na ANBIMA e taxa Selic vigente no Banco Central. Antes de investir, leia o prospecto, o termo de securitização ou a escritura de emissão.

Quando os títulos de crédito privado valem a pena?

Antes de adicionar esses papéis à carteira, avalie as condições da emissão, o contexto econômico e seus objetivos pessoais.

Objetivo

Qual é a finalidade do investimento: realizar um sonho, rentabilizar as economias, diversificar, aposentar-se?

O prazo desses títulos varia, mas tende a ser de médio e longo prazo, e o investimento costuma exigir aportes mais elevados. Isso os aproxima de estratégias de *buy and hold*, e não de operações especulativas de curto prazo.

Perfil do investidor

Como não há cobertura do FGC, é a estrutura de cada emissão que define eventuais proteções. Algumas operações preveem garantias oferecidas pela própria empresa ou por instituições envolvidas, com cobertura parcial ou integral. Essas garantias variam caso a caso, constam dos documentos da emissão e não equivalem ao FGC nem eliminam o risco de crédito.

Avalie sua tolerância ao risco. Embora esses títulos não sejam tão voláteis quanto ações, investidores mais conservadores podem preferir ativos tradicionais de renda fixa.

Condição do mercado

Dependendo da situação econômica, esses títulos podem ou não ser a melhor opção de diversificação. Compare sempre alternativas com risco equivalente para verificar se não há outro ativo com rentabilidade superior para o mesmo nível de risco.

Como a taxa de juros impacta os títulos de crédito privado?

A taxa básica da economia, a Selic, é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e influencia diretamente a renda fixa privada. É importante separar dois efeitos:

- Papéis pós-fixados (atrelados ao CDI): acompanham a variação da taxa de juros. Em ciclos de alta da Selic, a remuneração nominal desses títulos tende a subir, o que aumenta sua atratividade frente a outras classes.
- Ciclos de queda de juros: a renda fixa tradicional passa a render menos, e emissores privados podem precisar oferecer prêmios competitivos para captar recursos, o que pode abrir oportunidades em novas emissões.

Para títulos prefixados ou indexados ao IPCA negociados antes do vencimento, o preço oscila conforme as taxas de mercado, é a chamada marcação a mercado. Em qualquer cenário, consulte a Selic vigente no site do Banco Central antes de decidir.

Quais são os riscos de investir em crédito privado?

Risco de crédito

É o principal risco: a possibilidade de inadimplência do emissor ou dos devedores dos recebíveis que lastreiam a operação. Se a empresa não honrar os juros ou o principal, o investidor pode ter prejuízo.

Para reduzir esse risco, analise com calma as opções, verifique a reputação e a solidez do emissor, as garantias previstas na escritura ou no termo de securitização e eventuais avaliações de risco disponíveis.

Risco de liquidez

Liquidez é a facilidade de transformar o ativo em dinheiro em prazo curto. Títulos de crédito privado costumam depender do mercado secundário, o que pode dificultar a venda antecipada ou exigir aceitar um preço menor.

Se você precisa de resgate ágil, avalie se o ativo atende a essa necessidade. Para quem busca formar patrimônio no longo prazo e levar o título até o vencimento, esse risco tende a ser menos relevante.

Risco de mercado

Está associado à volatilidade: mudanças nas taxas de juros e nas condições do setor do emissor afetam o preço do título antes do vencimento. Por isso, é importante analisar a composição da carteira e diversificar emissores e setores.

Se optar por acessar a classe via fundos de crédito privado, lembre-se de que o veículo é diferente: há cotas, regras de resgate e a possibilidade de que muitos resgates simultâneos afetem o desempenho do fundo. Nesse caso, avalie também o histórico e a experiência da gestora.

Conclusão

Os títulos de crédito privado podem ser uma alternativa de diversificação para quem aceita assumir risco de crédito em troca de prêmios potencialmente maiores que os da renda fixa bancária. A decisão depende do seu objetivo, do seu horizonte de investimento, do seu perfil de risco e da leitura atenta dos documentos de cada emissão.

Transparência: conteúdo educacional publicado por uma corretora de investimentos brasileira. Não constitui recomendação, oferta ou garantia de rentabilidade. Consulte seu assessor e a documentação oficial da oferta antes de investir.

Perguntas frequentes

1. O que são títulos de crédito privado?
São títulos de dívida emitidos por empresas e securitizadoras para captar recursos. O investidor empresta dinheiro ao emissor e recebe juros prefixados ou atrelados a indicadores como CDI e IPCA.

2. Títulos de crédito privado têm garantia do FGC?
Não. CRI, CRA e debêntures não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Algumas emissões preveem garantias próprias, descritas nos documentos da oferta, que não equivalem ao FGC.

3. Quais são os tipos de título de crédito privado no Brasil?
Três principais: CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários), CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e debêntures, incluindo as debêntures incentivadas voltadas a projetos de infraestrutura.

4. CRI e CRA pagam Imposto de Renda?
CRI e CRA são isentos de Imposto de Renda para o investidor pessoa física, como incentivo do governo aos setores imobiliário e do agronegócio.

5. Quais são os principais riscos desse investimento?
Risco de crédito (inadimplência do emissor), risco de liquidez (dificuldade de vender antes do vencimento) e risco de mercado (oscilação de preço por volatilidade e mudanças nas taxas de juros).

---

 *Este conteúdo tem caráter educacional e informativo e não constitui recomendação de investimento, oferta ou garantia de rentabilidade. Antes de investir, responda ao teste de perfil (API), leia a documentação da emissão e, se necessário, fale com seu assessor.* 

 

Time Ativa

Time Ativa