Dólar futuro: DOL e WDO, ajuste diário e o hedge cambial
Por Ativa Investimentos
Publicado em 13/05/2020
Atualizado em 02/10/2026
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Dólar futuro é um contrato derivativo negociado na B3 em que as partes fixam hoje a taxa de câmbio entre o real e o dólar para uma data futura, com liquidação exclusivamente financeira.
Resumo: os contratos de dólar futuro são usados para proteção cambial (hedge) e para especulação. As posições são ajustadas todos os dias pela variação do preço, exigem depósito de margem de garantia e são alavancadas, por isso as perdas podem superar o valor depositado.
Principais pontos
- Contratos: o DOL (cheio) corresponde a US$ 50 mil, e o WDO (minicontrato) a US$ 10 mil, ou seja, 20% do cheio.
- Liquidação: é sempre financeira, sem entrega física de moeda, com base na PTAX divulgada pelo Banco Central.
- Ajuste diário: ganhos e perdas são creditados ou debitados na conta todos os dias, e não apenas no vencimento.
- Margem: a B3 exige uma garantia para manter a posição, calculada pelo seu modelo de risco e alterada conforme a volatilidade.
- Riscos: alavancagem elevada, chamadas de margem e perdas que podem superar o capital depositado.
O que é o contrato de dólar futuro?
O dólar futuro é um contrato em que comprador e vendedor se comprometem com uma taxa de câmbio para uma data de vencimento. A diferença entre essa taxa e a cotação de referência é liquidada em reais.
Ninguém entrega ou recebe dólares físicos. No vencimento, o contrato é liquidado pela diferença entre o preço negociado e a taxa de referência, que é a PTAX de venda divulgada pelo Banco Central. Antes disso, o resultado já é apurado diariamente pelo mecanismo de ajuste.
Os participantes do mercado se dividem em dois grupos:
- Hedgers: empresas e investidores com exposição real ao câmbio, como importadores, exportadores e companhias com dívida em dólar, que usam o contrato para reduzir essa exposição.
- Especuladores: participantes que assumem posições para lucrar com a variação do câmbio e, com isso, dão liquidez ao mercado.
Quais são as especificações do DOL e do WDO?
O DOL é o contrato cheio, de US$ 50 mil, e o WDO é o minicontrato, de US$ 10 mil. Os dois têm a mesma cotação, os mesmos vencimentos e a mesma forma de liquidação.
| Característica | DOL (contrato cheio) | WDO (minicontrato) |
|---|---|---|
| Tamanho | US$ 50.000 | US$ 10.000 |
| Cotação | Reais por US$ 1.000 | Reais por US$ 1.000 |
| Valor de 1 ponto | R$ 50 | R$ 10 |
| Vencimento | 1º dia útil do mês de vencimento | 1º dia útil do mês de vencimento |
| Último dia de negociação | Último dia útil do mês anterior ao vencimento | Último dia útil do mês anterior ao vencimento |
| Liquidação | Financeira | Financeira |
Especificações sujeitas a alteração pela B3. Consulte a versão vigente no site da B3, na página dos contratos futuros de taxa de câmbio.
Como ler o código do contrato?
O código tem três partes: o ativo (DOL ou WDO), a letra do mês de vencimento e os dois dígitos do ano. Por exemplo, WDOZ26 é o minicontrato com vencimento em dezembro de 2026.
| Letra | Mês | Letra | Mês |
|---|---|---|---|
| F | Janeiro | N | Julho |
| G | Fevereiro | Q | Agosto |
| H | Março | U | Setembro |
| J | Abril | V | Outubro |
| K | Maio | X | Novembro |
| M | Junho | Z | Dezembro |
Na prática, a maior parte da liquidez se concentra no vencimento mais próximo. Por isso, quem mantém posição por mais tempo precisa "rolar" o contrato: encerra a posição no vencimento atual e abre outra no seguinte.
Como funciona o ajuste diário?
O ajuste diário é a liquidação, todos os dias, da diferença entre o preço de ajuste do dia e o do dia anterior. Quem está do lado favorável recebe esse valor em reais, e quem está do lado desfavorável paga.
O preço de ajuste é calculado pela B3 ao fim de cada pregão. Assim, o resultado da posição é realizado financeiramente dia a dia, e não apenas no vencimento.
Exemplo hipotético (apenas ilustrativo): um investidor compra 1 WDO a 5.400,0 pontos. No fim do dia, o preço de ajuste é 5.420,0 pontos.
| Situação | Variação | Cálculo | Resultado do dia |
|---|---|---|---|
| Dólar sobe para 5.420,0 | +20 pontos | 20 × R$ 10 | Crédito de R$ 200 |
| Dólar cai para 5.380,0 | −20 pontos | −20 × R$ 10 | Débito de R$ 200 |
Valores hipotéticos, sem custos e tributos. Não representam cotações reais.
O ajuste é debitado diretamente da conta. Por isso, mesmo quem acredita que a posição vai se recuperar até o vencimento precisa ter saldo para cobrir os débitos diários.
O que é margem de garantia no dólar futuro?
Margem de garantia é o valor que a B3 exige para que o investidor mantenha uma posição em aberto. Ela cobre perdas potenciais em cenários de estresse e é calculada pelo modelo de risco da bolsa.
Alguns pontos técnicos:
- Valor variável: a margem não é um percentual fixo. Ela muda conforme a volatilidade do mercado e a composição da carteira do investidor.
- Ativos aceitos: além de dinheiro, a B3 aceita outros ativos como garantia, como títulos públicos e ações, com descontos sobre o valor de mercado.
- Chamada de margem: se as perdas consumirem as garantias, a corretora exige novos depósitos. Se isso não acontecer, a posição pode ser encerrada compulsoriamente.
- Day trade: para operações abertas e encerradas no mesmo dia, as corretoras costumam definir margens próprias, que variam por instituição.
Como usar o dólar futuro para hedge cambial?
No hedge, a posição no dólar futuro compensa a variação de uma exposição real ao câmbio: o ganho em uma ponta tende a neutralizar a perda na outra.
| Exposição | Risco | Posição de hedge |
|---|---|---|
| Importador com pagamento futuro em dólar | Alta do dólar | Comprado em dólar futuro |
| Exportador com recebimento futuro em dólar | Queda do dólar | Vendido em dólar futuro |
| Investidor com ativos em dólar que quer neutralizar o câmbio | Queda do dólar | Vendido em dólar futuro |
Exemplo hipotético (apenas ilustrativo): um importador precisa pagar US$ 100 mil daqui a três meses. Para se proteger, ele compra 2 contratos DOL, que somam US$ 100 mil. Se o dólar subir, o custo da importação aumenta, mas os ajustes positivos do contrato compensam essa alta. Se o dólar cair, ele paga menos na importação, mas paga os ajustes negativos. Em qualquer cenário, o custo final em reais fica próximo da taxa travada.
O hedge raramente é perfeito. Diferenças de prazo, de valor e entre a taxa de referência do contrato e a taxa efetivamente usada no câmbio geram um resíduo, conhecido como risco de base.
O dólar futuro protege uma carteira de ações?
Pode ajudar, mas não há garantia. Em vários períodos, o dólar e o Ibovespa se moveram em direções opostas, mas essa correlação negativa não é constante e pode desaparecer justamente quando o investidor mais precisa dela.
Quem usa o dólar futuro para diversificar uma carteira de ações deve dimensionar a posição considerando a alavancagem do contrato. Uma posição grande demais deixa de funcionar como proteção e passa a ser uma aposta direcional no câmbio.
Quais são os custos e a tributação do dólar futuro?
Os custos incluem as tarifas da B3, a corretagem quando cobrada e o custo de oportunidade da margem. Os ganhos são tributados pelo Imposto de Renda, com regras diferentes para day trade e para operações comuns.
- Tarifas da B3: cobradas por contrato negociado, com valores diferentes para day trade. Consulte a tabela vigente no site da B3.
- Corretagem: varia conforme a corretora e o plano contratado.
- Imposto de Renda: o ganho líquido mensal é tributado com alíquotas diferentes para day trade e para operações comuns, com recolhimento pelo próprio investidor via DARF e retenção na fonte em algumas situações. Prejuízos só podem ser compensados dentro da mesma modalidade. Confirme as regras vigentes no site da Receita Federal ou com um contador.
Quais são os riscos de operar dólar futuro?
O principal risco do dólar futuro é a alavancagem: com uma margem pequena em relação ao valor do contrato, variações normais do câmbio geram ganhos ou perdas grandes em relação ao capital depositado.
- Perdas acima da margem: em movimentos fortes, o prejuízo pode superar o valor depositado e deixar saldo devedor.
- Chamadas de margem: em momentos de volatilidade, a B3 pode elevar a margem exigida, e a corretora pode encerrar posições se não houver novos depósitos.
- Eventos e gaps: decisões de política monetária, dados econômicos e notícias fiscais ou políticas podem provocar saltos de preço entre um pregão e outro, que o stop não consegue evitar.
- Rolagem: manter a posição por vários meses exige rolar os contratos, com custos e diferenças de preço entre os vencimentos.
- Concentração de vencimento: perto do vencimento, a liquidez migra para o contrato seguinte.
Operar dólar futuro é adequado apenas para investidores com perfil compatível e conhecimento de derivativos. Defina antes de operar o tamanho da posição, o limite de perda e o capital que pode ficar exposto aos ajustes.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre DOL e WDO?
O DOL é o contrato cheio, de US$ 50 mil, e o WDO é o minicontrato, de US$ 10 mil. Os dois têm a mesma cotação, os mesmos vencimentos e a mesma liquidação. Um ponto vale R$ 50 no DOL e R$ 10 no WDO.
Quando vence o contrato de dólar futuro?
O vencimento é no primeiro dia útil do mês indicado no código. O último dia de negociação é o último dia útil do mês anterior.
Existe entrega de dólares no vencimento?
Não. A liquidação é sempre financeira, em reais, com base na PTAX de venda divulgada pelo Banco Central.
O que é ajuste diário?
É a liquidação diária da variação do preço do contrato. Quem está do lado favorável recebe o valor, e quem está do lado desfavorável paga, até o encerramento da posição.
Posso perder mais do que a margem depositada?
Sim. Como o contrato é alavancado, movimentos fortes do câmbio podem gerar perdas maiores que a margem e deixar saldo devedor na corretora.
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Fontes consultadas
-
B3: especificações dos contratos futuros de taxa de câmbio, margens e tarifas
-
Banco Central: taxa PTAX
-
Receita Federal: tributação de operações em bolsa
-
CVM: regulação do mercado de derivativos
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Para operar contratos futuros de dólar, conheça as plataformas e as condições da Ativa.
Este conteúdo tem caráter educacional e informativo e não constitui recomendação de investimento, oferta ou garantia de rentabilidade. Derivativos envolvem riscos elevados, inclusive de perdas superiores ao capital investido. Antes de operar, responda ao teste de perfil (API) e, se necessário, fale com seu assessor.
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