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Fundos Quantitativos: redução de risco e aumento de resultado

Por: Time Ativa
17/07/2019
7 min

Fundos Quantitativos: redução de risco e aumento de resultado

Por Ativa Investimentos

Publicado em 17/07/2019

Atualizado em: 24/09/2026

Fundos quantitativos são fundos de investimento cujas decisões de compra e venda seguem modelos estatísticos previamente testados, e não a leitura discricionária de um gestor. O objetivo é lucrar com operações originadas na análise de dados, buscando comportamentos repetitivos nos preços dos ativos. Por usarem gatilhos de entrada e saída diferentes dos fundos tradicionais, tendem a apresentar oscilações descorrelacionadas dos multimercados mais comuns, o que os torna, sobretudo, uma ferramenta de diversificação de carteira.

Sobre este conteúdo: este artigo é uma entrevista. As informações, números e opiniões abaixo foram fornecidos pelos gestores entrevistados e refletem a visão deles na data da conversa. Não se trata de recomendação de investimento. Verifique a data de publicação, o regulamento e a lâmina de cada fundo antes de qualquer decisão.

Quem respondeu a esta entrevista

Para entender um universo ainda novo no Brasil, conversamos com Pedro Simonetti e Flávio Terni, gestores da Giant Steps Capital, gestora brasileira dedicada a estratégias quantitativas.

Índice

  1. Qual é a história da Giant Steps Capital?
  2. Quais são as vantagens de ter um fundo quantitativo na carteira?
  3. Como se diferenciam as estratégias Zarathustra e Sigma?
  4. Faz sentido ter Zarathustra e Sigma na mesma carteira?
  5. Qual o target de rentabilidade e volatilidade dos fundos?
  6. Por que os fundos quantitativos são raros no Brasil e dominantes nos EUA?
  7. O que representa fornecer pesquisa quantitativa para uma gestora americana?
  8. Perguntas frequentes

Resumo em 5 pontos

  • Fundos quantitativos decidem por modelos estatísticos testados, não por leitura discricionária.
  • O principal benefício apontado é a descorrelação, útil para diversificação.
  • A Giant Steps opera duas famílias: Zarathustra/Darius (explorar momentos de irracionalidade) e Sigma/Axis (paridade de risco global).
  • Os targets vão de CDI+4% (Axis, vol. 4%) a CDI+10% (Zarathustra, vol. 15%) — objetivos, não garantias.
  • A penetração da estratégia no Brasil é baixa frente aos EUA, mas os gestores esperam crescimento com a queda de juros e o aumento da competição.

1. Qual é a história da Giant Steps Capital?

A Giant Steps nasceu há oito anos com o objetivo de gerir capital usando o que há de mais moderno em estatística e tecnologia no mercado financeiro. A empresa está constituída em modelo de partnership e conta com uma equipe de 18 profissionais com formação acadêmica de ponta e larga experiência no mercado.

Na visão dos gestores, o mundo mudou: qualquer cenário econômico pode se alterar na velocidade de um tweet, e a quantidade de informação disponível cresce de forma exponencial. Por isso, as estratégias da casa se concentram em uma única constante, o ser humano. Toda variação de mercado, afinal, é fruto das reações dos investidores.

É impossível prever o que uma pessoa fará em determinada situação. O comportamento agregado de um grupo, porém, tende a apresentar padrões mensuráveis estatisticamente. Gestores tentam medir esse comportamento há centenas de anos; o que mudou foi a velocidade e o volume de informação.

"O que nós fazemos é exatamente o mesmo que vem sendo feito há séculos: modelar o comportamento humano para ganhar dinheiro no mercado. Nossa diferença é a adição de poder computacional e estatística à intuição humana."

Segundo os entrevistados, os fundos quantitativos já têm presença consolidada nos mercados internacionais, e eles acreditam que o crescimento dos métodos quantitativos na gestão de recursos também ocorrerá no Brasil, e não deve demorar.

2. Quais são as vantagens de ter um fundo quantitativo na carteira?

A vantagem mais imediata apontada pelos gestores é a descorrelação com o resto do mercado. Por consumirem normalmente mais informação do que outras modalidades de gestão, esses fundos costumam ter gatilhos de entrada e saída de posições muito diferentes dos demais e, por isso, não se costuma encontrar relação consistente entre o resultado do fundo e um benchmark ou outro fundo.

1ª vantagem: potencial de diversificação

Fundos quantitativos são ferramentas de diversificação. O efeito esperado na carteira do investidor, ao alocar em um fundo como o Zarathustra, é de redução de risco do conjunto, o que os gestores chamam de "mágica" da descorrelação. Diversificação reduz risco específico, mas não elimina o risco de perdas.

2ª vantagem: processo que se renova ao longo do tempo

Na avaliação dos entrevistados, o resultado desses fundos tende a melhorar no médio e longo prazo, enquanto em outras modalidades a performance tenderia a se deteriorar ano a ano. O aumento e a globalização da competição, somados ao crescimento da informação disponível, exigem que as gestoras se reinventem continuamente, algo que, segundo eles, já é rotina em um fundo quantitativo.

3ª vantagem: decisões baseadas em dados, sem viés emocional

A terceira vantagem vem da capacidade de processamento de dados e da exclusão de vieses emocionais na tomada de decisão. Segundo os gestores, em um mundo que produz cerca de 2,5 bilhões de gigabytes de informação por dia, a única forma de decidir com base em dados é com uso intensivo de tecnologia.

3. Como se diferenciam as estratégias Zarathustra e Sigma?

São duas famílias: uma composta pelos fundos Zarathustra e Darius, outra pelos fundos Sigma e Axis.

O racional do Zarathustra e do Darius

O ser humano nem sempre é racional: em alguns momentos, a emoção, pânico ou euforia, toma conta. Nesses momentos, o mercado abre oportunidades pontuais e rápidas, com risco associado.

A estratégia foi desenhada para explorar essas janelas, buscando um resultado descorrelacionado do restante da indústria. Tecnicamente, é formada por 18 modelos rodando em paralelo, cada um explorando um tipo de ineficiência em um ativo diferente. Atualmente a casa opera bolsa, juros, câmbio e commodities no mundo inteiro.

O racional do Sigma e do Axis

Quando não está dominado pelas emoções, o comportamento agregado tende a ser racional. Essa estratégia busca mitigar os efeitos das reações emocionais dos investidores e obter resultado nos momentos de racionalidade.

Tecnicamente, usa a metodologia de paridade de risco (alocação dinâmica inversamente proporcional ao risco de cada ativo e à sua correlação com o resto da carteira) para construir um portfólio global diversificado, buscando explorar o prêmio de risco em bolsa, juros, câmbio e commodities ao redor do globo em diferentes cenários, sem garantia de resultado positivo em todos eles.

4. Faz sentido ter Zarathustra e Sigma na mesma carteira?

Para os gestores, sim: é assim que alocam o patrimônio dos próprios sócios e é o que recomendam aos cotistas. As estratégias foram desenhadas desde o início para serem complementares.

Tecnicamente, a de correlação entre os fundos faz com que a volatilidade da carteira combinada seja bastante reduzida, com o mesmo retorno. Historicamente, segundo os entrevistados, o índice de Sharpe de um portfólio 50/50 gira em torno de 1,4, dado histórico informado pela gestora, que não representa garantia de repetição.

5. Qual o target de rentabilidade e volatilidade dos fundos?

 Volatilidade-alvo anual e retorno-alvo informados pela gestora na entrevista: 

Fundo Volatilidade-alvo (ao ano) Retorno-alvo
Zarathustra 15% CDI + 10%
Darius (espelho mais conservador) 8% CDI + 5%
Sigma 8% CDI + 8%
Axis 4% CDI + 4%

 

A família Sigma/Axis busca atingir um índice de Sharpe de 1, o que, segundo os gestores, simplifica a leitura do investidor: para cada ponto de volatilidade, um ponto de retorno acima do CDI.

Importante: os valores acima são objetivos de gestão (targets), não promessa nem garantia de rentabilidade. Fundos multimercados estão sujeitos a perdas e podem utilizar estratégias que impliquem risco de perda superior ao capital aplicado. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura. Antes de investir, leia o regulamento, a lâmina e o formulário de informações complementares do fundo e verifique a adequação ao seu perfil de investidor (suitability).

Glossário rápido:

  • volatilidade é a intensidade da oscilação do fundo;

  • índice de Sharpe é a relação entre o retorno acima da taxa livre de risco e a volatilidade;

  • AUM é o patrimônio sob gestão;

  • descorrelação significa que os resultados não se movem juntos.

6. Por que os fundos quantitativos são raros no Brasil e dominantes nos EUA?

Segundo os entrevistados, nos Estados Unidos os fundos com estratégia quantitativa já representam 30% do AUM alocado em hedge funds, e os 10 maiores são, em maior ou menor grau, quantitativos. No Brasil, menos de 1% do AUM em fundos estaria nesse tipo de estratégia. 

A explicação apontada é a maturidade do mercado americano, com investidores mais sofisticados e competição intensa, hoje já global, sem limites geográficos.

No Brasil, a hegemonia dos grandes bancos e, principalmente, a alta taxa de juros retardaram por muito tempo a sofisticação dos investidores e o interesse por educação financeira. Isso gerou duas características:

Do lado dos gestores

Poucos competidores realmente qualificados criaram um mercado em que técnicas complexas não eram necessárias: estratégias simples bastavam para capturar ineficiências muito grandes.

Do lado dos investidores

O rendimento da poupança e de outras aplicações bancárias era suficiente para contentar a maior parte das pessoas, que não buscavam conhecer aplicações mais arriscadas.

Esse cenário estaria mudando rapidamente, com fluxo de capital saindo de aplicações pós-fixadas para estratégias mais agressivas, movimento atribuído principalmente à queda da taxa de juros. Mais competição significa menos ineficiências óbvias — e, nesse ambiente, os fundos quantitativos ganham relevância por conseguirem processar grandes volumes de dados e identificar padrões difíceis de encontrar sem tecnologia.

7. O que representa fornecer pesquisa quantitativa para uma gestora americana?

Os gestores descrevem o processo da casa como uma linha de produção em quatro etapas:

  1. aquisição e tratamento de base de dados;
  2. criação de hipótese;
  3. teste;
  4. implementação.

"Funcionamos exatamente como uma fábrica: entram dados como matéria-prima e saem modelos, que serão alocados em uma das nossas famílias de fundos."

A parceria com a gestora Aperture, nas palavras deles, consiste em "alugar a ociosidade dessa fábrica, sem entregar a receita", ou seja, prestar pesquisa quantitativa sem transferir a propriedade dos modelos proprietários. Os demais termos do contrato não foram detalhados na entrevista.

Para os entrevistados, a pergunta relevante nos próximos anos não será se uma gestora é quantitativa, mas o quão sistemático é seu processo de investimento, já que se manter competitivo sem tecnologia de apoio à decisão tende a ficar mais difícil.

Perguntas frequentes

O que é um fundo quantitativo?

É um fundo cujas decisões de investimento seguem modelos estatísticos previamente testados, em vez da análise discricionária do gestor. O objetivo é identificar comportamentos repetitivos nos preços dos ativos a partir da análise de dados.

Qual a principal vantagem de um fundo quantitativo na carteira?

A descorrelação com o restante do mercado. Como usa gatilhos de entrada e saída diferentes dos fundos tradicionais, tende a não ter relação consistente com benchmarks ou outros fundos, funcionando como ferramenta de diversificação — o que reduz risco do conjunto, mas não elimina a possibilidade de perdas.

Qual a diferença entre Zarathustra e Darius, e entre Sigma e Axis?

É o nível de risco. Zarathustra tem volatilidade-alvo de 15% ao ano e Darius, 8%; Sigma tem 8% e Axis, 4%. Darius e Axis são as versões mais conservadoras de cada estratégia.

Os targets de CDI+10% ou CDI+8% são garantidos?

Não. São objetivos de gestão, não promessa de rentabilidade. Fundos multimercados podem apresentar perdas, e rentabilidade passada não garante resultados futuros.

Por que os fundos quantitativos são pouco representativos no Brasil?

Segundo os gestores entrevistados, menos de 1% do patrimônio sob gestão em fundos no Brasil está nessas estratégias, contra 30% dos hedge funds nos EUA. A diferença é atribuída à maior maturidade do mercado americano e, no Brasil, à hegemonia dos bancos e ao histórico de juros altos, que atrasaram a sofisticação dos investidores.

 

 *Este conteúdo tem caráter educacional e informativo e não constitui recomendação de investimento, oferta ou garantia de rentabilidade. Antes de investir, responda ao teste de perfil (API), leia a documentação da emissão e, se necessário, fale com seu assessor.* 

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