Uma nova Bolsa colocaria a B3 em perigo?

Quem acompanha o mercado financeiro já deve ter ouvido falar da possibilidade da criação de uma nova Bolsa de Valores.

Ainda que especulativo, esse rumor fez com que as ações da B3 (B3SA3), detentora do monopólio do mercado de negociação no país atualmente, reconhecida como uma das ações mais resilientes da bolsa brasileira, caíssem cerca de 16% no ano, até o momento.

Mas será que esse movimento faz sentido? Além disso, mesmo que haja outra bolsa, será que a B3 deixa de ser interessante? Para responder a essas perguntas, é necessário entender um pouco do histórico da empresa e o que faz dela uma das nossas ações preferidas na bolsa.

B3: histórico de resiliência na Bolsa

No ano passado, apesar do ambiente macroeconômico desafiador devido à pandemia de Covid-19, que prejudicou a operação da maioria das empresas listadas na bolsa, as ações da B3 subiram mais de 50%.

Para se ter uma ideia, no momento de maior incerteza da crise sanitária, quando a bolsa já acumulava seis circuit breaks em um mês, e diversas empresas devolviam ganhos acumulados de anos, a B3 apresentava resultados recordes de receita e lucro.

Esse crescimento se deve, pois, a companhia se beneficia da volatilidade dos mercados, levando em conta que quanto maior o volume de negócios, maior a receita com emolumentos e outras tarifas.

O crescimento do número de investidores na bolsa foi outro fator que auxiliou no crescimento da empresa. De 2019 para cá, o número de investidores na bolsa saltou de 1 milhão para 3,5 milhões, impulsionado, principalmente, pela forte queda na Selic no período, que alcançou seu menor patamar histórico, estimulando o brasileiro a buscar novos tipos de investimentos.

Apesar desse expressivo movimento, o Brasil ainda possui um grande potencial para atração de novos investidores, haja vista que esse total de pessoas físicas na B3 representa somente 2% da população brasileira, e que milhões de pessoas ainda investem em poupança.

Adicionalmente, os dois últimos anos foram marcados pelo grande número de listagens na B3, os famosos IPOs.

Esse fenômeno, além de estimular o crescimento no número de volumes de negociação, também gera receita para a B3 por meio de cobrança de tarifas por listagem.

A operação diversificada e verticalizada também são diferenciais da B3. A empresa é responsável não só pela infraestrutura de negociação de ações, mas também de derivativos, juros e moeda.

Além disso, por meio da CETIP, oferece serviços de registro, depósito, liquidação de títulos públicos, cotas de fundos, CDBs entre outros, e, além de deter o monopólio nacional no mercado de negociação, a B3 também está por trás de toda a estrutura de custódia, contrapartes e liquidação do mercado financeiro.

Para se ter uma ideia, somente 47,5% do faturamento total da B3 vêm da receita com ações e instrumentos de renda variável.

O restante está dividido em receita no mercado de juros, moedas, mercadorias, Mercado de Balcão, tecnologia, dados e serviços e em infraestrutura para financiamentos. Esse fenômeno garante rentabilização em diferentes frentes e cenários, gerando muito resiliência para seu negócio.

O fato da empresa deter o monopólio desses mercados e possuir uma estrutura asset light, isto é, pouco intensiva em capital físico, faz com que a empresa seja uma das grandes geradoras de caixa da bolsa, que é devolvido ao acionista por meio de dividendos, JCPs ou programas de recompra.

Possível fim de monopólio e receio de investidores

Devido às especulações sobre a possibilidade de quebra desse monopólio, o que prejudicaria as margens da B3, os investidores ficaram receosos em relação às ações da empresa, levando a companhia a um acúmulo de perdas e a apresentar resultados muito abaixo do Ibovespa neste ano. Entretanto, o quanto disso é realmente factível?

A chegada de uma nova bolsa não é algo impossível e nem tem de ser assustador. O Brasil ainda é um país em desenvolvimento, onde as empresas ainda têm dificuldade de acessar capital.

Em especial nesse ambiente de juros baixos, é natural que o mercado financeiro se desenvolva cada vez mais, de modo que haja espaço para novos entrantes. Se pensarmos em experiências internacionais, podemos citar diversos países que possuem mais de uma bolsa.

Acredito que o risco não justifica a forte desvalorização recente, pois o impacto do aumento da concorrência é menor do que o precificado pelo mercado.

Isso porque a concorrência provavelmente se daria na parte de negociação, ou seja, no segmento que casa as ordens de compra e venda dos investidores, que compõe apenas 20% da receita que a B3 faz com ações e instrumentos de renda variável.

Os outros 80% são receitas do segmento de pós-negociação, ou seja, receita com a Clearing, que faz a contraparte central de toda negociação, garantindo que não haja risco de default, e com sua depositária, responsável pela transferência financeira e registro de ativos.

É justamente neste segmento de pós-negociação que se encontra a maior parte do valor da B3. E discutir concorrência nele é algo muito mais improvável, já que existem muito mais barreiras de entrada.

Além disso, para que uma outra Clearing seja estabelecida é necessário que uma série de questões de ordem burocrática e de operação sejam solucionadas, como a regulação junto à CVM e Banco Central, investimentos em tecnologia, know-how e capital que poucas empresas teriam a capacidade de entregar.

Desta maneira, a B3 deverá continuar mantendo seus diferenciais no longo prazo. Fazendo com que seu case continue sólido apesar de maiores riscos. Por isso, se você ainda não tem ações da B3, agora é um bom momento para adicioná-las ao seu portfólio.

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