Período de mudanças para os grandes bancos brasileiros

Nos últimos dias, tivemos a divulgação dos balanços dos bancos e, conforme esperado, Santander (SAMB11), Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) divulgaram resultados sólidos, com crescimento da carteira de crédito sustentado pelo segmento de pessoa física, de maior spread, o que permitiu aumento também da margem financeira.

No caso de Bradesco, destaca-se também a retomada da operação de seguros, previdência e capitalização, muito impactada no último trimestre com a maior taxa de sinistralidade relacionada à Covid-19 e com a piora no resultado financeiro, mas que nesse trimestre apresentou um bom resultado, fazendo inclusive com que o banco revisasse para cima seu guidance para essa linha em 2021.

Além disso, conforme os dados de crédito do Banco Central já haviam adiantado, a inadimplência segue se comportando de maneira saudável, bem abaixo de sua média histórica, o que permitiu que os grandes bancos, assim como aconteceu no 2T21, reportassem menores despesas com PDD (Provisão para Devedores Duvidosos).

Tudo isso permitiu que os bancos tradicionais alcançassem o um ROE (Return On Equity) semelhante ao do período pré-covid, em torno de 20%.

O setor bancário em evolução

Entretanto, apesar deste resultado positivo, vale a reflexão: será que esses números devem se manter no que vem? E pensando no longo prazo, será que investir nos grandes bancos continua sendo uma boa ideia?

Bom, ao que tudo parece, 2022 será um ano desafiador. Ainda que a inadimplência continue controlada por motivos artificiais – como a flexibilização nas condições de crédito e auxílios governamentais – o crescente nível de endividamento das famílias e a escalada nos juros deve prejudicar este indicador para 2022.

Por esse motivo, as diretorias dos bancos procuram manter seus índices de cobertura – indicador que mede o nível de cobertura sobre a carteira de crédito – em patamares bem acima de sua média histórica, o que, a princípio, deve suportar a piora da inadimplência.

Entretanto, a inadimplência está longe de ser o único desafio para os grandes bancos. A agenda do BC de estímulo a competição no sistema financeiro, com a chegada do PIX e Open Banking, veio para pressionar market-share, receitas de serviços e spreads bancários dos bancos tradicionais.

Tais desafios estruturais são bem mais complexos de serem solucionados e vão requerer muito mais do que apenas aumento de provisões como no caso da inadimplência.

Para manterem a liderança em um cenário de constante evolução tecnológica e competitiva, os bancos tradicionais estão tendo que repaginar seu visual, mudar sua estrutura de agências e aumentar sua gama de produtos e serviços.

Vale pontuar como exemplo desse movimento a evolução do Iti, banco digital do Itaú, que alcançou a marca de 10 milhões no trimestre, e a criação do íon, que veio para modernizar o modelo de assessoria financeira do banco, tornando-o mais semelhante com corretoras e escritórios de agentes autônomos.

Já o Bradesco, apostou na criação do Next e na recente aquisição no banco digital Digio para modernizar suas operações e ofertas de serviços.

Confiança dos clientes: o maior ativo dos grandes bancos

Mesmo que a sobrevivência dos grandes bancos passe por um processo de reformulação de operações, marca e grandes investimentos no processo de digitalização, é importante destacar que as instituições bancárias tradicionais têm uma grande vantagem em relação aos novos concorrentes: o longo relacionamento com clientes, muitas vezes construído ao longo de décadas, além da vasta gama de produtos e serviços oferecida, em comparação com os bancos digitais.

Levando esse ponto em consideração, apesar de tantos desafios pela frente, ainda vejo valor na tese de investimento em bancos tradicionais. Ainda que muito dificilmente eles entreguem o mesmo ROE de antigamente, eles continuarão a ter um papel relevante no processo de transformação do sistema financeiro brasileiro.

Resumindo, é nítido que o setor bancário está passando por um processo de mudança que deve redefinir o mercado no futuro, e que está exigindo dos bancos tradicionais grandes investimentos em tecnologia, reposicionamento de marca e mudança em suas operações.

Entretanto, apesar do aumento da competitividade com os bancos digitais, essas instituições contam com uma relação duradoura com seus clientes e, pode-se dizer, que hoje esse é um de seus maiores ativos.

Uma dica para quem gosta de investir e acompanhar esse mercado: prestar atenção aos movimentos de empresas que já nasceram digitais e inseridas nesse novo momento do mercado financeiro, mas não esquecer que os grandes bancos brasileiros sempre são boas alternativas de investimento.

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