Selic subirá 150bps contrariando nossos modelos

No palavra do especialista de hoje, falaremos dos motivos determinantes em nossa mudança de expectativa na taxa de juros que será decidida no dia 08/12 pelo comitê de política monetária. Antes, esperávamos que o Banco Central elevasse a Selic em 200 bps, para 9,75%, mas alteramos para alta de 150 bps (9,25% a.a.).

Com a entrada da regra de silêncio do Copom e com a maioria das informações coletadas foi possível redefinir nossa perspectiva para o próximo Copom e consequentemente a trajetória para a Selic.

Atidos a matemática da regra Taylor para estimar a trajetória da Selic que promoveria a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, dividido igualitariamente entre 2022 e 2023, tínhamos a perspectiva de que o juro seria elevado em 200bps.

Assim, a expectativa condicional da autoridade mostraria convergência e as expectativas de mercado potencialmente seriam controladas, voltando à ancoragem. Evidentemente que a relação de subordinação da atividade econômica frente a atribuição do BC sobre a inflação seria o caminho para isso. Em outras palavras, nas regras definidas para a autoridade monetária brasileira, de mandato único, um dos caminhos que o BC controla a inflação, em seu headline, é oprimindo a atividade.

Entretanto, a comunicação recente da autoridade, sinalizando para uma dicotomia entre puxar demais o juro agora para restabelecimento da credibilidade e ancoragem das expectativas, poderia gerar solavancos de política monetária, contrariando a literatura, e poderia gerar uma perda das expectativas inflacionárias para baixo nos anos seguintes a 2022.

Discordamos da dicotomia imposta, visto que, apesar do gradualismo preconizar a política monetária eficiente, a desancoragem das expectativas reflete a perda de grau de credibilidade e desabona o regime de metas de inflação estruturalmente, o que é muito mais prejudicial do que desdobramentos recessivos conjunturais. Vale pontuar que a desancoragem é uma realidade e perder a meta para baixo nos próximos anos é apenas uma possibilidade.

De todo modo, como projetamos o que o BC vai fazer e não o que a autoridade deveria fazer, avaliamos que o Copom deverá subir o juro em 150bps nessa reunião, a despeito da piora das expectativas de inflação para o horizonte relevante.

Outras 2 elevações de 150bps deverão iniciar 2022, conduzindo o juro para a terminal de 12,25%, 100bps abaixo do terminal que avaliamos condizente com a convergência e restabelecimento da credibilidade.

Os 12,25% de Selic deverão permanecer até o início de 2023, quando passarão a ser reduzidos até 7,5% na última reunião do ano.

Com a nova trajetória o IPCA de 2022 sobe de 4,4% para 4,5% e de 2023 de 3,0% para 3,1%. O PIB para o biênio fica em, respectivamente, 0,5% e 2,6%, vindo de 0,5% e 2,5%. O câmbio segue na mesma perspectiva, de R$5,50/US$, tendo sua trajetória muito associada ao fiscal descalabrado.

Como se pode notar nossa projeção para 22 vai para muito além da meta, bem como a do mercado que já alcança 5,0%. Avaliamos que as estimativas condicionais do BC deverão apontar para uma alta de 4,7% nesse mesmo período. Deste modo, a autoridade, ao subir “apenas” 150bps mostra leniência com a meta desse ano.

Para 2023, ainda que projetemos inflação abaixo da meta (3,10% frente 3,25%), o Focus aponta para expectativas de 3,42% e a avaliamos que a autoridade deverá divulgar projeções condicionais em 3,2%.

Em suma, mesmo ponderando meio a meio nos dois anos relevantes para política monetária (22/23), a autoridade não acelerará o passo mesmo com a curva da Selic não conseguindo a convergência. Em outras palavras mudamos para 150bps pela comunicação e pelo que entendemos da visão da autoridade, mas esse ritmo contraria o que os nossos modelos que o BC deveria fazer, bem como nosso entendimento sobre a política monetária.

Comentários Étore Sanchez

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