Inflação: 3 índices que valem a pena conhecer
Os índices de inflação aparecem o tempo todo no noticiário econômico. IPCA, INPC, IGP-M… são várias siglas acompanhadas de percentuais que ajudam a mostrar como os preços estão se comportando.
Mas, se todos falam sobre inflação, por que existem tantos índices diferentes?
A resposta está no que cada um deles mede. Alguns acompanham o custo de vida de determinados grupos de famílias, enquanto outros consideram também preços no atacado e custos da construção.
Conhecer essas diferenças ajuda a entender melhor as notícias sobre economia, as mudanças no seu poder de compra e até alguns movimentos dos seus investimentos.
Por que existem diferentes índices de inflação?
A inflação representa, de maneira geral, o aumento dos preços de produtos e serviços ao longo do tempo. Mas nem todos consomem as mesmas coisas, portanto os preços podem variar de formas diferentes em cada parte da economia.
Por isso, existem diferentes índices de inflação, cada um com metodologia, público e finalidade próprios.
Um aumento no preço dos alimentos, por exemplo, pode ter um impacto maior no orçamento de uma família que destina boa parte da renda para itens básicos. Já a alta de matérias-primas pode aparecer com mais intensidade em um indicador que acompanha preços no setor produtivo.
Entre os principais índices acompanhados no Brasil estão o IPCA, o INPC e o IGP-M.
1. IPCA: o índice oficial de inflação do Brasil
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é provavelmente o indicador de inflação mais conhecido pelos brasileiros.
Calculado pelo IBGE, ele acompanha a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos por famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. Entram nessa cesta despesas como alimentação, habitação, transporte, saúde e educação. O IPCA é considerado o índice oficial de inflação do país.
É por isso que, quando você escuta no noticiário que “a inflação subiu” ou “a inflação caiu”, normalmente o indicador utilizado como referência é o IPCA.
Por que o IPCA importa para quem investe?
Além de mostrar como o custo de vida está evoluindo, o IPCA é uma referência importante para a economia e para o mercado financeiro, além de entender o retorno financeiro atrelado ao IPCA, como por exemplo o Tesouro IPCA+ e outros ativos indexados ao indicador.
A Ativa já explicou com mais detalhes o que o investidor precisa observar no IPCA e por que olhar apenas o resultado de um único mês pode não contar toda a história.
2. INPC: um olhar para as famílias de menor renda
O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) também é calculado pelo IBGE e acompanha a variação de preços de produtos e serviços.
A principal diferença em relação ao IPCA está no público considerado: enquanto o IPCA abrange famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, o INPC considera famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos.
Essa diferença importa porque famílias de menor renda costumam destinar uma parcela maior do orçamento a itens essenciais, como alimentação, transporte e medicamentos. Dessa forma, alterações nesses preços podem ter um peso diferente no INPC e no IPCA.
Imagine, por exemplo, que os alimentos apresentem uma alta significativa em determinado período. Para famílias que comprometem uma parcela maior da renda com alimentação, esse movimento tende a ser sentido de forma mais intensa.
É justamente por isso que dois índices de inflação podem apresentar resultados diferentes no mesmo mês.
3. IGP-M: uma visão mais ampla dos preços
O terceiro indicador da lista é o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Ao contrário do IPCA e do INPC, que são concentrados no consumo das famílias, o IGP-M também acompanha outras etapas da economia para medir o movimento de preços no Brasil.
Ele é formado por três componentes com diferentes pesos:
- 60% de preços ao produtor;
- 30% de preços ao consumidor;
- 10% de custos da construção civil.
Por considerar uma parcela significativa dos preços no atacado, o IGP-M pode reagir de maneira diferente do IPCA a fatores como commodities, matérias-primas e câmbio.
O indicador também ficou conhecido por ser utilizado como referência para atualização de valores em diferentes contratos, incluindo contratos de aluguel.
IPCA, INPC e IGP-M medem a mesma inflação?
Não exatamente.
Os três acompanham variações de preços, mas observam partes diferentes da economia.
IPCA, INPC e IGP-M: qual é a diferença?
Apesar de todos medirem variações de preços, cada índice olha para uma parte diferente da economia. O IPCA é a referência oficial da inflação brasileira, o INPC acompanha mais de perto o custo de vida das famílias de menor renda e o IGP-M considera também preços ao produtor e custos da construção.
Por isso, os três podem apresentar resultados diferentes no mesmo período sem que um deles esteja “errado”.
Eles não estão necessariamente se contradizendo. Estão olhando para a inflação por perspectivas diferentes.
E por que acompanhar esses índices?
Para quem investe, entender os índices de inflação ajuda a colocar a rentabilidade dos investimentos em perspectiva.
Imagine que um investimento tenha rendido 8% em determinado período. Esse número, sozinho, não mostra quanto o patrimônio realmente ganhou em poder de compra. Se os preços também avançaram de forma relevante, parte daquele rendimento foi consumida pela inflação.
A partir daí que surge a diferença entre retorno nominal, que é o percentual apresentado pelo investimento, e retorno real, que considera o efeito da inflação.
Além disso, acompanhar os indicadores ajuda a entender melhor discussões sobre juros, poder de compra, reajustes e cenário econômico.
E vale lembrar: inflação menor não significa necessariamente que os produtos ficaram mais baratos. A Ativa explica essa diferença no artigo “Inflação controlada significa vida mais barata?”.
Qual índice de inflação você deve acompanhar?
Não é necessário escolher apenas um.
O IPCA costuma ganhar mais atenção por ser o indicador oficial de inflação do país e por sua importância para a economia e os investimentos. Mas INPC e IGP-M ajudam a enxergar outras partes do movimento dos preços.
Entender os principais índices de inflação é, acima de tudo, uma forma de interpretar melhor o que acontece com seu dinheiro. Da próxima vez que IPCA, INPC ou IGP-M aparecerem no noticiário, você já saberá que, apesar de todos falarem sobre inflação, cada um está contando uma parte diferente dessa história.
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