Fluxo Cambial e as reservas internacionais na pandemia

No Palavra do Especialista de hoje falaremos sobre o comportamento do fluxo cambial na pandemia do coronavírus. O cenário errático motivado pela pandemia nos fez analisar o fluxo de recursos estrangeiros no País, e por conseguinte, buscar entender uma das variáveis que compões a desvalorização cambial no Brasil.

Inicialmente, vale destacar que a relação do Brasil com o resto do mundo já não era das melhores no pré-pandemia, dado que houve uma saída de US$ 44,8 bilhões em 2019, o maior volume do século XXI.

Partindo para 2020, ano em que começou a pandemia no Brasil e na maior parte do mundo, observamos uma desvalorização de diversas moedas em países subdesenvolvidos, sendo o câmbio brasileiro uns dois maiores prejudicados frente a seus pares.

Evidentemente que a pandemia motivou grande parte do déficit cambial em 2020 (US$ 27,9 bilhões), o que colocou uma pressão sobremaneira no câmbio. Os recursos foram direcionados para países cujo o risco é menor e ativos mais seguros foram privilegiados, colocando o Brasil e emergentes em desvantagem frente aos pares uma vez que nosso fiscal, e sua perspectiva, piorou drasticamente, relativamente e em absoluto.

Não obstante, uma das ferramentas importantes do BC para diminuir a volatilidade do câmbio são as intervenções, viabilizados com instrumentos que se apoiam nas reservas internacionais, sendo também as reservas um fator importante na tomada de decisão de investidores estrangeiros que buscam países capazes de suportar ataques especulativos contra sua economia.

Contudo, a incerteza sobre as possibilidades de ataque à volatilidade também dificulta os métodos de ação do BC, que reveladamente demonstram incomodo com as grandes oscilações, mas pouco atuou efetivamente.

Interessante notar também as críticas perante às recentes intervenções da autoridade, em um período pontual cuja volatilidade estava “contida”, e entrou derrubando a cotação da moeda. Assim, suscita-se a possibilidade de algum agente ter pedido saída ao órgão.

Não se pode esquecer que apesar das intervenções o câmbio no país é livre, fazendo parte de um arcabouço teórico econômico maior, e diga-se de passagem, o prêmio embutido no nível da moeda tem sido condizente com as ações e contexto político brasileiro.

No gráfico acima podemos observar um recuo das reservas internacionais. Em 2019, considerando apenas o spot que é o instrumento mais relevante no consumo de reservas, o BC injetou mais de US$ 34,9 bilhões, em 2020 a intervenção foi menor (US$ 24,8 bilhões), e se considerarmos até a quarta semana de março, as intervenções em 2021 já somam US$ 6,645 bilhões.

Por fim, podemos ver que o fluxo cambial continuou negativo após o péssimo ano de 2019. Entendemos que a pandemia trouxe um impacto gigantesco para esse dinâmica e esperamos que com a recuperação econômica (possivelmente lenta e gradual), a retomada das reformas e a responsabilidade no âmbito fiscal, bem como a redução de aversão ao risco global, implicarão em um fluxo de investimentos ao Brasil, apreciando a moeda. Conte sempre com a Ativa!

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