Alta da Selic: as perspectivas para o futuro da taxa de juros no Brasil

No Palavra do Especialista de hoje falaremos sobre a taxa Selic e as nossas perspectivas para o futuro da taxa de juros no Brasil. No dia 17/03 o Banco Central (BC) anunciou uma elevação da taxa Selic de 2,00% para 2,75%. Infelizmente a decisão veio bem acima dos 0,25% esperados por nós, da Ativa Investimentos, e acima da mediana das expectativas do mercado, em 2,50%.

A autoridade se mostrou incomodada com o avanço das expectativas de inflação, tanto de mercado quanto suas próprias projeções condicionais, que para 2021 subiram de 3,6% para 5,0%, com as perspectivas para 2022 subindo de apenas 3,4% para 3,5%.

Interessante notar que o BC está elevando os juros de maneira célere a despeito da forte previsão de administrados para 2021, 9,5%. Ou seja, com a projeção de 5,0% de headline e 9,5%, os livres ficam em apenas 3,5%, e essa projeção ainda deverá descontar as expectativas sobre alimentos, que superam essa taxa. Em outras palavras, os serviços deverão ceder para acomodar o choque de commodities.

O avanço de 75bps é praticamente uma declaração de que está behind the curve (quando a autoridade monetária demora demais para agir), ainda mais com o compromisso de outra elevação de 75bps.

Um trecho interessante que vale a pena destacar é: “Na avaliação do Comitê, uma estratégia de ajuste mais célere do grau de estímulo tem como benefício reduzir a probabilidade de não cumprimento da meta para a inflação deste ano, assim como manter a ancoragem das expectativas para horizontes mais longos. Além disso, o amplo conjunto de informações disponíveis para o Copom sugere que essa estratégia é compatível com o cumprimento da meta em 2022, mesmo em um cenário de aumento temporário do isolamento social.”

Esse trecho eleva o peso de 2021, que não fará mais parte do horizonte na reunião de maio, e dá um downplay no recrudescimento da pandemia, e o aumento do isolamento social. Ou seja, mesmo se piorar o BC irá elevar a Selic.

Além disso, em outro trecho BC afirma que o desempenho da economia no 4º trimestre indicou “recuperação consistente da economia, a despeito da redução dos programas de recomposição de renda”.

Assim, e com as informações fornecidas pelo Banco Central, mudamos nosso call de final de ano de 3,50% para 4,50%. Além da atual elevação da Selic de hoje, contemplamos mais uma elevação de 75 bps em maio, seguido de outras duas elevações de 50bps.

Vale pontuar que nossa projeção de IPCA que era de 3,2% para 2022 cairá para 3,0%, bem como a projeção de PIB desse ano que cederá de 2,9% para 2,7% e de 2022 de 2,4% para 2,3%.

Com a colaboração de Guilherme Sousa, economista da Ativa Investimentos

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