Perspectivas para o cenário econômico do Brasil em 2021

No Palavra do Especialista de hoje, falaremos sobre nossa expectativas para o ano de 2021: um cenário fiscalmente desafiador, crescimento gradativo, porém com câmbio apreciado e inflação estruturalmente bem comportada, permitindo juros estáveis ao longo do ano.

Após um 2020 repleto de desafios, o ano de 2021 tenderá a se caracterizar como o início da recuperação brasileira. Ainda que o crescimento projetado para o ano seja insuficiente para consumir a ociosidade da economia, voltaremos a crescer, sem grandes rompantes estruturais de inflação. O fiscal se manterá desafiador, mas as perspectivas de avanços nas reformas tendem a melhorar a trajetória da dívida, permitindo que o câmbio acompanhe a apreciação de seus pares.

Antes de mais nada, devemos pontuar que revisamos nossa perspectiva para o crescimento de 2020, que saiu de -5,0% para -4,5%, principalmente após os resultados de serviços e comércio no último trimestre. Tal revisão eleva o carry over para a perspectiva de crescimento em 2021, que passa de 2,9% para 3,1%.

Pode parecer pouco crescimento, sobretudo depois de uma queda tão acentuada precedida de avanços do PIB por três anos consecutivos próximos a 1%. Entretanto, um erro de 2020, pelo menos do departamento econômico da Ativa, foi subestimar a sensibilidade da economia brasileira ao fiscal, o que não pretendemos replicar em 2021.

Se por um lado a injeção fiscal observada em 2020 fez com que a DBGG saltasse de cerca de 75% para pouco mais de 90% e impediu que as projeções de queda muito mais acentuadas do PIB se concretizassem; por outro, sua ausência tende a enfraquecer o potencial de crescimento de 2021.

Em outras palavras, o auxílio emergencial e outras políticas públicas de injeção de capital cumpriram seu papel de suavizar o tombo econômico, ainda mais agressivo, que seria gerado pela pandemia. Em contrapartida o crescimento de outros períodos é suavizado, já começando por 2021.

Isso não chega a ser um problema de emissão para o Tesouro, uma vez que o colchão de liquidez cresceu muito ao longo do final de 2020, dado o volume emitido até então. Em outras palavras, apesar de matérias apontarem corretamente que o volume disponível para aporte do BC ao Tesouro será menor, o mesmo não se fará fundamental para os gestores da dívida.

Desejos e conflitos políticos à parte, nosso cenário não contempla novas injeções de capital pois, mesmo que ideologicamente o governo fosse adepto, não haveria espaço orçamentário. Projetamos um déficit primário ao redor de R$250bi, e mesmo com os gastos no teto, o governo deverá passar 2021 com apenas R$90bi, o que flerta com o shutdown se nenhuma medida emergencial for tomada.

É prudente pontuar que os valores acima apontados fazem parte de um cenário tênue que não permite o mínimo de descalabro fiscal. Aliás, como dito no início do texto, enseja por reformas estruturais e conjunturais.

Não obstante, observou-se em 2020 uma sustentação da demanda por itens básicos por conta do fiscal, como alimentos, o que contribuiu para que a inflação de 2020 saltasse, para acima da meta, fechando o ano a 4,5%.

É possível notar que o hiato do produto, dilacerado em 2020, impediu que os itens sensíveis a política monetária (bens e serviços) avançassem abruptamente, e, apesar de uma alteração na ponderação do consumo dessa cesta, a mesma ociosidade segurará a inflação esse ano. Deste modo, projetamos que o IPCA de 2021 fique ao redor de 3,2%.

Evidentemente tal projeção não contempla um choque adicional de commodities, algo que se aventa nesse início de ano. Dado o patamar que os preços terminaram ano passado e as perspectivas de arrefecimento na demanda (interna e externa), bem como de recomposição das ofertas – principalmente as metálicas – esperamos que os preços fiquem bem comportados em 2021. Vale pontuar que os preços de alimentos são constantemente monitorados na Ativa e o processo vivido no início deste ano não está sendo negligenciado.

Com a inflação estruturalmente comportada, nossas estimativas apontam para a Selic estável ao longo de todo ano, ensejando por elevações apenas a partir de janeiro de 2022.

A despeito desse cenário de juros muito estimulativo, com as reformas conjunturais (que também podem ser chamadas de reparos), o fiscal deverá ficar minimamente “bem comportado” esse ano, permitindo que o Brasil acompanhe o momento “dólar fraco” global, que favorecerá os emergentes.

Assim, e já considerando o diferencial de risco Brasil frente a seus pares, principalmente pelo incremento de DBGG/DLSP e a dinâmica da mesma ao longo dos próximos anos, estimamos que o real terminará 2021 cotado a R$4,70/US$, com consequente apreciação para 2022, para R$4,35/US$.

Em linhas gerais, o que se espera para o Brasil este ano é um cenário fiscalmente desafiador, com crescimento gradativo, mas com câmbio apreciado e inflação estruturalmente bem comportada, permitindo juros estáveis ao longo do ano. O caminho é nítido para reformas, mas isso está longe de significar que será uma trajetória fácil e sem solavancos.

Em linhas gerais, o caminho brasileiro este ano está frontalmente ancorado as reformas estruturais. Não obstante, acreditamos que o Brasil deva crescer gradativamente, com a inflação controlada e real apreciando frente ao dólar. Conte sempre com a Ativa. Para quaisquer dúvidas estamos à disposição.

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