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Operações estruturadas: estratégias, riscos e tributação

Por: Time Ativa
01/01/2020
8 min

Operações estruturadas: estratégias, riscos e tributação

Por Ativa Investimentos

Publicado em 01/01/2020

Revisado em 05/10/2026

Operações estruturadas são estratégias que combinam dois ou mais instrumentos, geralmente ações e opções, para obter um perfil de risco e retorno definido antes da montagem. Elas podem ser montadas diretamente na bolsa ou adquiridas prontas, por meio de um COE (Certificado de Operações Estruturadas). Estruturas com perda máxima limitada também têm ganho máximo limitado, e nenhuma delas elimina o risco.

Principais pontos

  • O que são: combinações de ativos e derivativos com perfil de resultado conhecido antes da montagem.
  • Na bolsa: estratégias com opções, como travas, borboleta, lançamento coberto e collar.
  • COE: título emitido por banco que embala uma estrutura pronta, com prazo, cenários de retorno e risco definidos no documento da oferta.
  • Ponto central: limitar a perda costuma significar limitar também o ganho.
  • Riscos: exercício, liquidez das séries, execução das pernas e, no COE, risco de crédito do emissor, sem cobertura do FGC.

Como funcionam as operações estruturadas?

Uma operação estruturada combina posições compradas e vendidas em ativos e opções para que o resultado no vencimento siga um formato definido, com ganho máximo, perda máxima e ponto de equilíbrio calculáveis antes da montagem.

Há dois caminhos para investir nesse formato:

Característica Estrutura montada na bolsa COE
Como funciona O investidor executa cada perna na B3 Título emitido por um banco com a estrutura embutida
Flexibilidade Alta, pois é possível ajustar ou desmontar as pernas Baixa, pois as condições são fixadas na emissão
Liquidez Depende da liquidez de cada série de opções Limitada, porque a saída antes do vencimento depende do emissor
Risco de crédito Contraparte central da B3 Risco do banco emissor, sem cobertura do FGC
Acompanhamento Exige monitorar exercício, vencimento e ajustes Menor, já que o resultado é apurado no vencimento
Tributação Regras de renda variável Tabela regressiva de renda fixa

Como funcionam as opções usadas nas estruturas?

A opção dá ao titular o direito de comprar (call) ou vender (put) um ativo pelo strike até ou em uma data de vencimento. Em troca, o titular paga um prêmio ao lançador, que assume a obrigação de cumprir o contrato se a opção for exercida.

Posição Call (opção de compra) Put (opção de venda)
Titular Paga o prêmio e tem o direito de comprar pelo strike Paga o prêmio e tem o direito de vender pelo strike
Lançador Recebe o prêmio e tem a obrigação de vender pelo strike, se exercido Recebe o prêmio e tem a obrigação de comprar pelo strike, se exercido

Na B3, as opções de compra sobre ações costumam ser do estilo americano, que pode ser exercido a qualquer momento até o vencimento. As opções de venda costumam ser do estilo europeu, exercidas apenas no vencimento. Confira a especificação de cada série antes de montar uma estrutura.

O valor das opções muda com o preço do ativo, o tempo até o vencimento, a volatilidade e os juros. As chamadas gregas medem essas sensibilidades: o delta mede a sensibilidade ao preço, o gama mede a variação do delta, o theta mede a perda de valor com o tempo e o vega mede a sensibilidade à volatilidade. Em uma estrutura, o resultado antes do vencimento depende da soma das gregas de todas as pernas.

Quais são as principais operações estruturadas com opções?

As estruturas mais usadas na bolsa são a trava de alta, a trava de baixa, a borboleta, o lançamento coberto e o collar. Cada uma expressa uma expectativa diferente sobre o preço e a volatilidade do ativo.

Estrutura Expectativa Montagem típica Perda máxima Ganho máximo
Trava de alta Alta moderada Compra de call com strike menor e venda de call com strike maior Limitada ao débito Limitado
Trava de baixa Queda moderada Compra de put com strike maior e venda de put com strike menor Limitada ao débito Limitado
Borboleta Preço estável perto do strike central Compra de 1 call com strike baixo, venda de 2 calls com strike central e compra de 1 call com strike alto Limitada ao débito Limitado
Lançamento coberto Estabilidade ou alta moderada Compra da ação e venda de call A ação pode cair até zero, com a perda reduzida pelo prêmio Limitado ao strike
Collar Proteção com custo reduzido Compra da ação, compra de put e venda de call Limitada pelo strike da put Limitado pelo strike da call

Montagens com opções do mesmo ativo-objeto e do mesmo vencimento.

Como funciona a trava de alta?

A trava de alta combina a compra de uma call com strike menor e a venda de uma call com strike maior, do mesmo vencimento. O prêmio recebido na venda reduz o custo da compra, em troca de um ganho máximo limitado.

Exemplo hipotético (apenas ilustrativo): com a ação a R$ 30, o investidor compra uma call com strike de R$ 30 por R$ 1,50 e vende uma call com strike de R$ 33 por R$ 0,50. O débito líquido é de R$ 1,00 por ação.

Preço da ação no vencimento Resultado por ação
R$ 28 −R$ 1,00 (perda máxima, igual ao débito)
R$ 31 R$ 0,00 (ponto de equilíbrio)
R$ 33 +R$ 2,00 (ganho máximo)
R$ 35 +R$ 2,00 (o ganho fica limitado pela call vendida)

Valores hipotéticos, sem custos e tributos.

Como funciona a trava de baixa?

A trava de baixa pode ser montada com puts, comprando uma put com strike maior e vendendo uma put com strike menor, ou com calls, vendendo uma call com strike menor e comprando uma call com strike maior.

Com puts, a montagem gera débito, e o investidor ganha se o preço cair até o strike menor. Com calls, a montagem gera crédito, e o investidor mantém o crédito se o preço ficar abaixo do strike menor. Nos dois casos, ganho e perda são limitados.

Como funciona a borboleta?

A borboleta é usada quando se espera que o preço fique próximo de um valor específico no vencimento. O ganho é máximo se o ativo terminar no strike central e diminui à medida que o preço se afasta dele.

A montagem com calls envolve comprar 1 call com strike baixo, vender 2 calls com strike central e comprar 1 call com strike alto, com distâncias iguais entre os strikes. A perda máxima é o débito pago na montagem. Ela ocorre se o preço terminar abaixo do strike baixo ou acima do strike alto.

Como funciona o lançamento coberto?

No lançamento coberto, o investidor compra a ação e vende uma call sobre ela. O prêmio recebido reduz o custo de aquisição, mas o ganho fica limitado ao strike da call vendida.

O investidor é lançador da call, e não titular. Se a opção for exercida, ele entrega as ações pelo strike. Se não for, mantém as ações e fica com o prêmio.

Exemplo hipotético (apenas ilustrativo): o investidor compra a ação a R$ 30 e vende uma call com strike de R$ 32 por R$ 1,00, o que reduz o custo efetivo para R$ 29.

  • Ação a R$ 32 ou acima no vencimento: a opção é exercida, e ele vende a R$ 32. O ganho é de R$ 3,00 por ação, cerca de 10,3% sobre o custo de R$ 29, sem considerar custos.
  • Ação entre R$ 29 e R$ 32: ele mantém a ação e o prêmio, com resultado positivo ou neutro.
  • Ação abaixo de R$ 29: há prejuízo. O prêmio apenas amortece a queda.

Quando o strike escolhido está abaixo do preço da ação, a operação passa a buscar uma taxa prefixada até o vencimento e costuma ser chamada no mercado de financiamento.

Como funciona o collar?

O collar combina a ação com a compra de uma put e a venda de uma call. A put limita a perda, e o prêmio da call vendida financia total ou parcialmente o custo da put.

Exemplo hipotético (apenas ilustrativo): com a ação a R$ 30, o investidor compra uma put com strike de R$ 27 por R$ 0,80 e vende uma call com strike de R$ 33 por R$ 0,80. O custo das opções é zero. No vencimento, o resultado da posição fica entre −R$ 3,00 e +R$ 3,00 por ação, sem considerar custos.

O que é rolagem de uma estrutura?

Rolagem é o ajuste em que o investidor encerra a estrutura do vencimento atual e abre uma equivalente em um vencimento posterior ou em outros strikes, para manter ou recalibrar a estratégia.

A rolagem não é um tipo de estrutura, e sim um ajuste. Cada rolagem envolve novos custos de corretagem e tarifas, além do spread entre compra e venda das séries. Por isso, o ajuste deve ser avaliado como uma nova decisão de investimento.

O que é e como funciona o COE?

O COE (Certificado de Operações Estruturadas) é um título emitido por instituições financeiras que combina, em um único produto, uma parcela de renda fixa e derivativos, com cenários de retorno, prazo e risco definidos na emissão.

O COE foi criado pela Resolução CMN nº 4.263/2013 e é a versão brasileira das notas estruturadas comuns no exterior. Antes de investir, o emissor deve disponibilizar o DIE (Documento de Informações Essenciais). Esse documento descreve o ativo de referência, os cenários de ganho e perda, o prazo, as condições de resgate antecipado e os riscos.

O COE pode ter duas modalidades:

  • Valor nominal protegido: o investidor recebe de volta, no vencimento, ao menos o valor nominal aplicado. Essa proteção depende da solvência do emissor e da manutenção do título até o vencimento.
  • Valor nominal em risco: o investidor pode perder parte ou a totalidade do valor aplicado, conforme a estrutura.

Pontos de atenção no COE:

  • Risco de crédito: o COE não tem cobertura do FGC. Se o emissor quebrar, o investidor pode perder o valor aplicado, mesmo na modalidade com valor nominal protegido.
  • Liquidez: a saída antes do vencimento depende de recompra pelo emissor, que pode ocorrer com deságio ou nem ser oferecida.
  • Custo de oportunidade: em um COE protegido, se o cenário favorável não se confirmar, o investidor pode receber apenas o valor nominal, sem correção pela inflação ou pelo CDI do período.
  • Custos embutidos: a remuneração do emissor e do distribuidor está incorporada à estrutura.

Quais são as vantagens e as limitações das operações estruturadas?

A principal vantagem das operações estruturadas é desenhar com antecedência o perfil de risco e retorno de uma posição. A principal limitação é que a proteção contra perdas tem custo e normalmente limita o ganho.

Vantagens Limitações
Perda máxima conhecida em várias estruturas Ganho máximo também limitado
Possibilidade de expressar expectativas específicas, como alta moderada, estabilidade ou queda Exige conhecimento de opções e acompanhamento
Acesso a diferentes ativos de referência via COE COE com risco de crédito, liquidez restrita e custos embutidos
Tributação regressiva no COE Opções seguem regras de renda variável, com apuração mensal

Quais são os riscos das operações estruturadas?

Os principais riscos das operações estruturadas são o de mercado, o de liquidez das séries, o de execução das pernas, o de exercício e, no COE, o risco de crédito do emissor.

  • Mercado: mesmo estruturas com perda limitada podem perder todo o débito pago.
  • Liquidez: séries de opções pouco negociadas têm spreads largos, o que encarece a montagem e a desmontagem.
  • Execução das pernas: se as pernas não forem executadas ao mesmo tempo, o preço pode se mover entre uma e outra e alterar o resultado esperado.
  • Exercício antecipado: calls americanas lançadas podem ser exercidas antes do vencimento, por exemplo em datas de pagamento de proventos.
  • Estruturas descobertas: lançar opções sem a cobertura correspondente pode gerar perdas superiores ao capital investido e exige margem na B3.
  • Crédito do emissor: no COE, a proteção depende da capacidade de pagamento do banco emissor.

Como é a tributação das operações estruturadas?

Estruturas com ações e opções seguem as regras de renda variável, com apuração mensal dos ganhos. O COE segue a tabela regressiva da renda fixa, com alíquota que diminui conforme o prazo da aplicação.

Ganhos com opções e ações são tributados conforme as regras de renda variável, com alíquotas diferentes para operações comuns e para day trade, e recolhimento pelo próprio investidor via DARF. No COE, o imposto é retido na fonte pela tabela regressiva. As regras são regulamentadas pela Instrução Normativa RFB nº 1.585/2015. Confirme as regras vigentes no site da Receita Federal ou com um contador.

Regras tributárias verificadas em 02/10/2026 e sujeitas a alteração.

Para qual perfil de investidor as operações estruturadas são indicadas?

Operações estruturadas com opções exigem conhecimento técnico e acompanhamento, sendo adequadas a investidores com perfil compatível. O COE pode atender perfis diferentes, conforme a modalidade e o ativo de referência, mas também tem riscos próprios.

A adequação ao perfil é avaliada pelo teste de suitability, conforme a Resolução CVM 30. Antes de montar uma estrutura ou investir em um COE, verifique se você entende o resultado em todos os cenários de preço, e não apenas no cenário esperado.

Perguntas frequentes

O que são operações estruturadas?

São estratégias que combinam ativos e derivativos, como ações e opções, para obter um perfil de risco e retorno definido antes da montagem. Podem ser feitas na bolsa ou por meio de um COE.

Operação estruturada tem risco zero?

Não. Estruturas com perda máxima limitada podem perder todo o valor pago na montagem. No COE, há também o risco de crédito do emissor, sem cobertura do FGC.

Qual a diferença entre trava de alta e lançamento coberto?

A trava de alta usa apenas opções e tem perda limitada ao débito pago. O lançamento coberto envolve a compra da ação, e a perda pode ser grande se a ação cair muito, já que o prêmio só amortece a queda.

O COE com valor nominal protegido garante o dinheiro investido?

A proteção vale no vencimento e depende da solvência do banco emissor. O COE não tem cobertura do FGC, e o resgate antes do prazo pode ocorrer com perda.

Como é tributado o COE?

O COE segue a tabela regressiva de Imposto de Renda da renda fixa, com imposto retido na fonte. Já as estruturas com opções seguem as regras de renda variável.

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Fontes consultadas

Fontes consultadas em 02/10/2026.

*Este conteúdo tem caráter educacional e informativo e não constitui recomendação de investimento, oferta ou garantia de rentabilidade. Opções e COEs envolvem riscos, inclusive de perda do capital investido. Antes de investir, responda ao teste de perfil (API), leia o DIE do COE e, se necessário, fale com seu assessor.*

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